Analistas de Wall Street elogiam Copom, mas prevêem mais aperto

O aumento da taxa Selic em 1 ponto percentual, para 26,5% ao ano, anunciado ontem pelo Copom, poderá não ser o último no atual ciclo de aperto monetário, segundo alguns analistas em Wall Street. Na opinião do diretor de pesquisa e estratégia para mercados emergentes do banco UBS Warburg, Michael Gavin, o Banco Central terá que elevar a taxa de juros no mínimo mais uma vez para que as expectativas de inflação convirjam para, pelo menos, o limite superior da banda da meta de inflação, mesmo que num prazo mais prolongado. "Teria que acontecer uma combinação muito especial de fatores favoráveis para que o BC mantivesse a taxa de juros inalterada no nível atual", afirmou Gavin. Ele acredita que, mesmo sem ter adotado um choque de juros, o Copom acabou admitindo implicitamente a necessidade de novo aperto monetário (que Gavin estima em mais de 1 ponto percentual) ao adotar simultaneamente à elevação da taxa Selic o aumento do compulsório sobre depósitos à vista de 45% para 60%.Gavin apostava numa elevação da taxa Selic ao final da reunião do Copom de ontem de, pelo menos, 1,5 ponto percentual. Isso devido ao pessimismo em relação à expectativa de inflação. "A inflação de fato e a expectativa de inflação para os próximos 12 meses continuam subindo", ressaltou. Depende do câmbioNa opinião do vice-presidente de pesquisa e estratégia para mercados emergentes do banco JP Morgan, Graham Stock, a eficácia do aumento da taxa Selic para 26,5% ao ano e também do compulsório vai depender em muito da direção que tomar a taxa de câmbio nas próximas semanas. "E a reação dos mercados financeiros internacionais ao conflito no Iraque será importante para a direção da taxa de câmbio", disse Stock à Agência Estado. Na hipótese de um desfecho rápido e decisivo para a guerra, com os mercados externos registrando um "rally" como consequência, o analista do JP Morgan acredita que as autoridades brasileiras deveriam esperar um pouco antes de elevar as taxas de juros novamente. "Contudo, sob quaisquer outras circunstâncias, um novo aumento dos juros no Brasil é muito provável", ressaltou Stock. Ele estima a inflação brasileira para 2003 em 12%, enquanto a meta ajustada de inflação fixada pelo governo é de 8,5%. Movimento inteligente Na opinião do diretor de pesquisa e estratégia para mercados emergentes do banco ABN-Amro, Arturo Porzecanski, o aumento da taxa Selic para 26,5% e do compulsório para depósitos à vista foi um movimento inteligente por parte do Copom. Ele calcula que a medida do compulsório irá retirar do mercado cerca de R$ 10 bilhões, ou 15% da base monetária. "A decisão reforça o compromisso do governo em controlar a inflação", disse Porzecanski. "O aumento do compulsório reduz o custo fiscal do aumento de juros. No entanto, ainda é muito cedo para decretar o fim do ciclo do aperto monetário atual no Brasil", afirmou o analista do ABN-Amro. Para o estrategista senior de renda fixa para mercados emergentes da Merrill Lynch, Felipe Illanes, o aumento da taxa Selic em 1 ponto percentual não chegou a surpreender, dado que a inflação mensal não dá sinais de declínio e as expectativas de inflação continuam a subir, num contexto em que as perspectivas para os preços de petróleo e também para o real permanecem incertas. O analista considerou positiva a decisão do Copom de ontem, uma vez que reafirma o compromisso das autoridades em reconstruir a âncora monetária. Illanes disse que a decisão de aumentar o depósito compulsório de 45% para 60% foi inesperada e deverá ter um impacto geral além da elevação da taxa Selic. Veja abaixo mais opiniões sobre a decisão de ontem do Copom:Para Palocci, alta de juros não afetará crescimento Mercado reage mal a aumento do compulsório Impacto do novo compulsório será de R$ 8 bi, diz BC CNI prevê impacto recessivo com medidas do Copom Indústria crescerá menos com juro maior, diz Abinee Fitch aprova Selic, mas mostra preocupação com o PIB BC mostra responsabilidade com a inflação, diz BM&F Para Fiesp, crescimento está sob severa ameaça Compulsório é saída para evitar juros, diz economista Aumento da Selic traz desesperança, diz Força Sindical Alta da Selic é "remédio amargo", diz Federação do Comércio Juros ao consumidor devem ter reajuste imediato Aumento do compulsório tira R$ 9,7 bi do mercado, diz consultoria Selic em alta: momento é de cautela para o investidor

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