Analistas debatem livre comércio entre Mercosul e UE

Analistas internacionais debateram, nesta segunda-feira, na Faculdade de Ciências Políticas de Paris, França, a criação de um acordo de livre comércio entre os países da União Européia (UE) e do Mercosul. O tema é centrado na espera ou não pelo fim da atual rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC), em que há elementos comuns. Os contatos entre a UE e o Mercosul já acontecem há anos sem grandes avanços.Na conferência ministerial de Hong-Kong da OMC, em dezembro, houve acordo em alguns temas, mas faltou aprovar as modalidades para a liberalização dos mercados agrícola, industrial e de serviços. Alguns desses pontos também são motivos de divergência entre os negociadores da UE e os do Mercosul. OpiniõesEntre as opiniões expostas está a da funcionária da Comissão Européia Beatriz Knaster. Ela destacou que não é preciso que europeus e sul-americanos esperem o fim das conversas na OMC para iniciar o diálogo entre os blocos, mas disse que dessa forma seria mais fácil.Um dos negociadores do Mercosul com a UE, o embaixador brasileiro Régis Arslanian, disse que são conversas diferentes, mas ambas estão unidas pela necessidade de serem "ambiciosas". Mas lembrou que "é preciso apresentar elementos concretos para melhorar no capítulo agrícola e no de serviços e obter mais flexibilidade em áreas como o setor de automotivos".O italiano Paolo Giordano, que trabalha para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), disse que europeus e sul-americanos não têm de esperar o fim do ciclo de Doha, mas deve haver uma coordenação temporária já que os mercados agrícolas são uma questão central nas duas mesas.Um elemento que afeta os dois processos é a oscilação entre multilateralismo e protecionismo em que se movimentam os países, apontaram alguns analistas. O Mercosul é composto pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

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