Analistas defendem corte ousado do juro hoje

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne hoje para deliberar sobre o nível dos juros básicos, decisão que será fundamental para definir o ritmo de recuperação da atividade econômica nos próximos meses. Muitos analistas consideram importante um corte de pelos menos 1,5 ponto porcentual da taxa Selic, hoje em 26% ao ano, para garantir que a retomada ocorra com mais força no quarto trimestre. De 38 instituições consultadas pela Agência Estado, 22 apostam numa redução de 1,5 ponto, 8, numa redução de 2 pontos e 4, num corte de apenas 1 ponto. Há também três que acreditam numa baixa de 1 a 1,5 ponto e uma que prevê uma redução de 1,5 a 2 pontos. O comportamento dos índices de preços ? que têm registrado deflação ?, o fraquíssimo nível de atividade e o tombo das expectativas de inflação abrem espaço para uma queda mais forte dos juros. A redução do compulsório dos bancos também é considerada possível. O chefe para a América Latina da consultoria Ideaglobal em Nova York, Ricardo Amorim, entende que um corte de 1,5 ponto ajudará a estabelecer as condições para que o processo de recuperação da economia se fortaleça ao longo do próximo semestre. Para ele, o recuo das expectativas de inflação desde a reunião anterior do Copom permite uma redução dos juros mais ousada, pois estão convergindo para a meta de 2004, de 5,5%. Amorim ressalta ainda que a inflação tem surpreendido favoravelmente ? o IPCA de junho teve deflação de 0,15% e o IGP-10 deste mês teve variação negativa de 0,73%. O economista Roberto Padovani, da Tendências , destaca ainda que os juros reais estão num nível muito elevado ? comparando uma Selic de 26% e projeção de um IPCA de 7,04% para os próximos 12 meses, a taxa real está em 17,71%, acima dos 16,93% da reunião anterior do Copom. Ele cita também o comportamento da inflação e do nível de atividade para defender um corte de 2 pontos. Padovani diz que mudanças na política monetária hoje vão impactar a economia principalmente em 2004, mas entende que haverá algum efeito ainda neste ano. Para ele, um corte da Selic muito tímido, de 1 ponto, pode ter algum impacto negativo sobre a atividade econômica. Isso ocorreria porque os juros no mercado futuro já embutem a expectativa de uma redução de 1,5 ponto. Como são as taxas de longo prazo que definem o custo do crédito, uma vez que os bancos captam recursos para fazer empréstimos com base nelas, um corte inferior a 1,5 ponto poderia provocar uma nova alta dos juros futuros.

Agencia Estado,

23 Julho 2003 | 07h00

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