Analistas defendem redução

Maioria prefere uma meta de 4% ou 4,25% em 2011

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

A maioria dos analistas de mercado financeiro defende a redução da meta de inflação de 2011 para algo entre 4% e 4,25%. "Cortar uma cultura inflacionária é difícil e não ocorrerá naturalmente por parte da sociedade. Precisaria haver um esforço do governo no sentido de diminuir o número de índices (que medem a inflação) e baixar a meta", diz o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. "Mas acho que nenhuma dessas coisas será feita, ou seja, a meta de 4,5% talvez seja uma sina por um bom tempo." Os especialistas que, como ele, defendem meta mais baixa argumentam que o mercado já espera para 2010 um IPCA menor que 4,5%. Segundo o último Relatório Focus, síntese de uma pesquisa do Banco Central (BC) com o mercado, a projeção está em 4,3%. Portanto, o esforço para puxar para baixo a estimativa de 2011 (hoje em 4,5%) seria mínimo, e provavelmente não implicaria uma alta do juro. "No ano passado, a expectativa futura do mercado também estava abaixo da meta. Quando se definiu que os 4,5% seriam mantidos, elas convergiram para cima", disse o economista-chefe do Citibank no Brasil e ex-chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas do BC, Marcelo Kfoury. Segundo ele, uma meta menor leva o mercado a reduzir as projeções para o juro básico. O economista-chefe do Banco Santander e ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman, escreveu recentemente um paper - "puramente teórico", observa - que pode ser assim resumido: a redução da meta futura de inflação provoca uma queda da inflação corrente, o que abre espaço para uma baixa do juro. Por isso, avalia que o Brasil poderia buscar uma meta de 4%, aproximando-se, assim, da média de outros países latino-americanos que também utilizam o sistema. Segundo Schwartsman, Chile, México e Peru adotam 3%, com uma banda de um ponto porcentual para baixo ou para cima. "Não seria nenhuma barbaridade (o País definir 4%)", afirmou. O economista ressalta que seu raciocínio é válido para países em que o banco central tem um histórico de cumprir a meta, "caso do Brasil". De fato, desde que o sistema foi adotado por aqui, há exatos 10 anos, a meta não foi alcançada em apenas três ocasiões. Responsável direto pela implantação do regime, o ex-diretor do BC e atual diretor executivo do Itaú-Unibanco, Sérgio Werlang, diverge da maioria de seus colegas. "Uma meta de 4,5% está de bom tamanho."A principal justificativa de Werlang para a manutenção da meta atual é o que chama de "rigidez do salário nominal". Em outras palavras, a Constituição não permite a redução de salários. "Com isso, a economia tem de se ajustar pela alta dos preços", explicou. O economista argumenta que 4,5% não é um nível tão superior ao dos Estados Unidos, onde a inflação anual oscila entre 2,5% e 3%, e na Europa, fica entre 2% e 2,5%.

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