Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Analistas divergem sobre preço da gasolina com mais álcool

Diferentemente do que prevê a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pesquisadora Mirian Bacchi, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq) não espera uma queda no preço da gasolina, em função do aumento da parcela de álcool adicionada ao produto. Segundo ela, com o início do período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro Sul do Brasil, maior região produtora do combustível do País, a tendência é de alta para o preço do álcool. "Teoricamente, pode haver uma redução no preço da gasolina, mas essa variação pode ser camuflada com o começo do aumento do preço do álcool. Portanto, ainda é muito incerto e especulativo dizer algo", afirmou Mirian. "Imagino que o governo se dispôs, com a medida, baratear o preço da gasolina e foi cauteloso se baseando em um estudo profundo sobre o assunto para evitar o desabastecimento do álcool", concluiu a pesquisadora.Representantes do Ministério da Agricultura afirmam que o preço do combustível pode sofrer redução de até 1,5% com o aumento da mistura do álcool na gasolina de 20% para 23% a partir de 20 de novembro. Com base neste cálculo, a Fipe avalia que a redução dos preços da gasolina deve provocar uma queda de 0,04 ponto porcentual na inflação mensal de São Paulo.Parcela de álcool poderia ser maiorOs estoques previstos para o álcool, contudo, não apontam uma escassez do produto, mesmo considerando o período de entressafra. Neste caso, o preço do álcool não apresentaria tendência de alta. De acordo com o consultor Plínio Nastari, da Datagro Consultoria, especializada no setor sucroalcooleiro, os estoques efetivos de álcool no início da próxima safra do Centro-Sul, em maio, serão expressivos, em torno de 846 milhões de litros apenas no Centro-Sul do país.Segundo ele, uma adição de 25% de anidro na gasolina seria perfeitamente possível e sem maiores efeitos tanto no abastecimento como nos preços. O aumento de 2 pontos percentuais na adição de álcool anidro na gasolina significará um consumo extra - de 20 de novembro de 2006 até 30 de abril de 2007, quando termina oficialmente a entressafra do Centro-Sul - de 234 milhões de litros. "A medida me surpreendeu porque o Brasil poderia economizar mais se adicionasse 25% de anidro, um produto feito localmente, e reduziria seus gastos com importação de petróleo", disse.A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) também defendeu uma parcela maior de álcool. "A decisão é vista com bons olhos pelo setor produtivo, uma vez que representa um mercado adicional de 60 milhões de litros mensais. No entanto, o setor volta a reafirmar sua convicção da existência de base técnica para a volta imediata à normalidade, ou seja, um nível de mistura de 25%", informa documento divulgado pela entidade."O percentual traz ganhos ambientais expressivos nas cidades, sobretudo no que diz respeito ao monóxido de carbono e à formação de gás ozônio, importantes poluentes das grandes metrópoles. Além disso, o álcool anidro é um natural redutor de preço da gasolina, o que implica impacto positivo imediato nos preços deste combustível com conhecida influência na formação dos índices de preço ao consumidor, utilizados na medição de inflação", informou.EstoquesOutro fator que garantiria o abastecimento mesmo com 25% é o fato que o Centro-Sul vai deixar em pé um volume de até 3 milhões de toneladas de cana para ser processada em abril/maio, o que gerará um estoque de álcool mais que suficiente para abastecer o país.Para Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria, a elevação da adição para 23% e não para 25% pode ser uma estratégia para sustentar o preço da gasolina. "Uma adição de mais anidro tornaria o preço da gasolina mais barato e talvez o governo queira repassar a alta do preço do petróleo para o preço do combustível nesse momento", disse.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2006 | 18h36

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.