Analistas dividem-se sobre recomendações

Analistas dividem-se sobre quais as decisões mais acertadas para quem tem papéis de empresas exportadoras ou para investidores que pretendem comprá-las. Contudo, é consenso que essa decisão depende, basicamente, de qual a expectativa do investidor em relação ao comportamento do dólar nas próximas semanas.O diretor de renda variável da Unibanco Asset Management, Jorge Simino, avalia que, tomando por base o atual patamar de negociação para o dólar, as ações de empresas exportadoras já estão em um patamar elevado, o que reduz o espaço de ganho parta o investidor. Por outro lado, segundo ele, há muitas incertezas no cenário, tanto interno quanto externo, que podem pressionar ainda mais as cotações do dólar. "No geral, manter papéis de empresas exportadoras dentro de uma carteira de ações ainda é uma posição sustentável", afirma Simino.Os analistas concordam que as ações de empresas exportadoras continuam com a característica de um papel defensivo dentro de uma carteira de ações. Isso porque, se o dólar continuar em patamares elevados, refletindo a insegurança dos investidores, as ações dessas companhias continuarão com tendência de alta. "Mas, se o investidor busca um ganho mais expressivo, há outros setores que devem apresentar desempenho melhor, dentro de um cenário mais favorável", afirma o gestor de renda variável para a América Latina do ABN Amro Asset Management, Luiz Ribeiro. Nesse cenário mais positivo, ele destaca o setor de telecomunicações, cujos papéis estão muito depreciados, o que abre a possibilidade de rendimento mais elevado.Analistas avaliam Vale, Perdigão e VCPJúlio Ziegelmann, da BankBoston Asset Management, avalia que as ações de muitas empresas exportadoras já chegaram muito próximo do seu preço-alvo, como as ordinárias (ON, sem direito a voto) da Companhia Vale do Rio Doce, que ontem fecharam cotadas a R$ 79,98 e acumulam no ano uma alta de 53,81%. O gestor de carteira de ações da Hedging Griffo, Marcelo Cavalheiro, concorda com Ziegelmann. Segundo ele, é uma estratégia "interessante" vender as ações da empresa agora e realizar o lucro. Mas há quem avalie que a ação da Vale do Rio Doce deve ser mantida em carteira. Para Ribeiro, a Vale do Rio Doce é uma empresa que vai se beneficiar pela recuperação do preço dos produtos no mercado internacional, principalmente porque a sua produção, o minério de ferro, é uma das primeiras a ser afetada pela retomada da atividade econômica mundial. Já Ziegelmann avalia que, para quem pretende ter ações de empresas com perfil exportador em carteira, há outras opções com projeção de ganho melhor, como as ações da Perdigão. "A empresa tem 40% das suas vendas voltadas para o mercado internacional e as suas ações ainda não apresentaram o desempenho esperado", afirma Ziegelmann.Ribeiro também acredita no bom potencial das ações da Perdigão. Segundo ele, a companhia tem diversificado os mercados para os quais exporta e, com isso, ganha em escala nas suas vendas. "Hoje, os grandes compradores de produtos da Perdigão estão localizados no mercado asiático, no Oriente Médio e na Rússia", avalia. O gestor de carteira de ações da Hedging Griffo, Marcelo Cavalheiro, destaca os papéis da Votorantim Celulose e Papel (VCP) que no ano, até o dia 16 de setembro, já acumulam uma valorização de 27,2%. Segundo ele, as ações da companhia ainda têm potencial de valorização em torno de 30% nos próximos 12 meses. No ranking de rentabilidade dos papéis que compõem o Ibovespa, a VCP ocupa o quarto lugar (veja o ranking completo no link abaixo).

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