André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Analistas do mercado ajustam projeção para o PIB de 2020 para queda de 6,50%

Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, estimativa para a inflação no ano passou para 1,61%, bem abaixo do piso da meta

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 11h11

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração 6,51% para queda de 6,50%. Para 2021, foi mantida a estimativa de alta de 3,50%.

Na semana passada, o BC informou que seu Índice de Atividade (IBC-Br) recuou 9,73% em abril ante março, na série com ajustes sazonais. Foi o maior recuo da história em um único mês.  

Os economistas também ajustaram a previsão para o IPCA, o índice oficial de preços, deste anos, de  alta de 1,60% para 1,61%. A projeção para o índice em 2021 seguiu em 3,00%.

Essa projeção está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

A expectativa de inflação no curto prazo tem sido bastante afetada pela perspectiva de que, com a pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica seja fortemente prejudicada, com impactos negativos sobre a demanda por produtos e baixa da inflação.

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA recuou 0,38% em maio. No acumulado do ano, a taxa está negativa em 0,16%.

Juros

Na esteira da última decisão de política monetária do Banco Central, os analistas mantiveram suas projeções para a Selic, a taxa básica de juros, no fim de 2020 em 2,25% ao ano.

Na semana passada, ao cortar a Selic de 3,00% para 2,25% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou que, para as próximas reuniões, “o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”.  

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo no Focus, a mediana da taxa básica em 2020 foi de 2,25% para 1,75% ao ano, ante 2,25% ao ano de um mês antes.

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