André Dusek/Estadão - 9/1/2018
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Analistas do mercado já veem inflação em 8,51% no fim do ano

A projeção foi revista para cima pela 26ª semana seguida, segundo o Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2021 | 10h10

A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC). Os economistas elevaram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - este ano pela 26.ª semana seguida, de alta de 8,45% para 8,51%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 4, pelo BC. A projeção para o índice em 2022 passou de 4,12% para 4,14%, no 11.º aumento consecutivo.

As estimativas para 2023 foram mantidas em 3,25% e em 3% para o ano seguinte. O centro da meta para a inflação deste ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, também com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%). 

O IPCA-15, prévia do inflação oficial, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), saltou 1,14% neste mês, na maior alta para setembro desde 1994, início do Plano Real. Em 12 meses, o indicador ficou em 10,05%, maior alta sob essa ótica desde fevereiro de 2016, meses antes de a ex-presidente Dilma Rousseff ser afastada no processo de impeachment, em meio à recessão.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta.

Ao contrário do IPCA, as projeções para IGP-M de 2021 foram revistas para baixo, de alta de 18,18% para 17,67%. Há um mês, estava em 19,31%. Calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado.

O IGP-M, normalmente usado para corrigir contratos de aluguel de imóveis, caiu 0,64% em setembro, depois de ter subido 0,66% em agosto, na primeira deflação mensal desde fevereiro de 2020 (-0,04%). No acumulado em 12 meses, o índice desacelerou de 31,12% em agosto para 24,86% em setembro, abaixo do nível de 30% pela primeira vez desde fevereiro (28,94%).  

Taxa básica de juros

As projeções dos analistas para a Selic no fim de 2021 foram mantidas, em 8,25% e em 8,50% para o fim de 2022.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu pela quinta vez consecutiva a taxa básica de juros e manteve o ritmo ao elevá-la em 1 ponto porcentual, para 6,25% ao ano. Ao mesmo tempo, o colegiado sinalizou um aumento de mesma magnitude para a próxima reunião, nos dias 26 e 27 deste mês.

Na ata da última reunião do Copom, o BC diz que a estratégia mais apropriada para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023 (3,25%, com margem de 1,5 ponto porcentual) é a manutenção do ritmo atual de ajuste associado ao "aumento da magnitude do ciclo de ajuste da política monetária para patamar significativamente contracionista".

Os economistas ouvidos pelo Banco Central também mantiveram a projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 em 5,04%. Há quatro semanas, a estimativa era de alta de 5,15%. Para 2022, a previsão de expansão do PIB continuou em 1,57%. 

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