Analistas elegem Copel, Eletropaulo e Cemig

Cemig, Copel e Eletropaulo concentram as apostas dos analistas entre as ações de elétricas com melhor potencial neste terceiro trimestre. As expectativas consideram a federalização da dívida da empresa mineira, o desconto de Copel em Bolsa e o empréstimo do BNDES à companhia paulista para repor as perdas com o racionamento.Para o analista do Unibanco Research, Sergio Tamashiro, o patamar dos papéis em Bolsa vai mudar com o governo Federal assumindo a dívida de aproximadamente R$ 1,5 bilhão do Estado com a Cemig - que está em andamento. Ele estima que a medida resultará em benefício entre R$ 7,00 e R$ 6,00 no preço da ação. Atualmente, a Cemig está cotada perto de R$ 30,00.Horácio Piedras, da BES Securities, lembrou que a federalização da dívida da Cemig está no processo de reposição do caixa da companhia por causa do racionamento. "Dessa forma, ao contrário das empresas privadas que terão de usar o reajuste extraordinário de tarifas para as obrigações com o BNDES, a Cemig terá um ganho real, pois não terá de pagar empréstimo nenhum."Sobre a Copel, ele observou que a empresa ficou fora da área de racionamento, o que contribuiu para que os hábitos de consumo, no mercado dela, fossem pouco afetados. A companhia, disse, tem também uma dívida (R$ 1,4 bilhão) equivalente a 27% do patrimônio, tida como baixa exposição.A ressalva em relação à empresa paranense está na compra de energia da Argentina, disse Tamashiro, do Unibanco. Em 1999, a Copel contratou energia do país vizinho a US$ 30,00 o megawatt/hora, valor considerado elevado, que tem dificultado a venda do excedente.Apesar do entrave, Tamashiro acredita que a depreciação dos papéis em mercado já é suficiente para que sejam considerados "uma grande oportunidade" de investimento. Em 2002, Copel PNB registra desvalorização de quase 30%.Na Eletropaulo, o Unibanco calcula que o financiamento do BNDES totalizará R$ 1 bilhão, dos quais R$ 400 milhões irão para o pagamento de fornecedores. Os R$ 600 milhões restantes podem ser usados na rolagem de dívidas. A questão vem concentrando as atenções no papel, pois há dúvidas no mercado sobre a real capacidade de a empresa de adiar o compromisso.Existem também variáveis importantes. "O câmbio continua uma incógnita", afirmou Oswaldo Telles, da BBV Corretora. "O consumo está crescendo lentamente e não dá para dizer a velocidade que irá se mexer."

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