André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mercado vê inflação maior e prevê menos cortes na Selic em 2017

Após divulgação do IPCA-15 de agosto, economistas estimam aumento do índice de preços da economia neste ano e no próximo e redução de ritmo nos cortes da taxa básica de juros no segundo semestre de 2017

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2016 | 09h29

BRASÍLIA - No primeiro Relatório de Mercado Focus divulgado após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de agosto, os economistas do mercado financeiro elevaram as previsões para a inflação tanto em 2016 quanto em 2017 e passaram a prever menos cortes para a Selic (a taxa básica de juros) no segundo semestre de 2017. 

No caso da inflação para 2017, que é o foco do Banco Central, o mercado segue projetando um cenário de menor elevação dos preços da economia, mas desta vez a estimativa subiu de 5,12% para 5,14%. Há quatro semanas, estava em 5,20%. A projeção para a inflação oficial neste ano, medida pelo IPCA, subiu de 7,31% para 7,34%. Um mês antes, estava em 7,21%.   

Já em relação à Selic, as medianas das projeções seguiram indicando uma taxa de 13,75% ao ano no fim de 2016, 13,25% em janeiro de 2017, 12,75% em fevereiro 12,25% em abril e 11,75% em junho. Estas são as mesmas projeções vistas na semana passada e indicam cortes da Selic, de hoje até o fim do primeiro semestre de 2017, de 0,50 ponto porcentual a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), totalizando 2,50 postos porcentuais.  

 

No segundo semestre de 2017, porém, o ritmo vai diminuir, pelas projeções do mercado. Em julho, a Selic seria reduzida de 11,75% para 11,50% ao ano. Depois, iria para 11,25% (setembro), e assim permaneceria até o fim de 2017. Até a semana passada, a projeção mediana dos economistas para a Selic no fim do próximo ano era de 11,00% ao ano.

 

Na última quarta-feira, dia 24, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 em agosto subiu 0,45%. Foi menos que o 0,54% de elevação de julho e a taxa ficou próxima da mediana de 0,46% esperada pelo mercado. No acumulado de 12 meses, porém, o IPCA-15 de agosto atingiu 8,95%, num claro sinal de que a inflação segue resistente. A meta perseguida pelo Banco Central em 2016 e 2017 é de 4,5% para o IPCA, com tolerância de 2 pontos porcentuais para este ano e 1,5 ponto para o próximo.   

 

No relatório Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, as medianas das projeções para inflação este ano melhoraram, passando de 7,51% para 7,45%. Para 2017, permaneceram em 5,25%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,16% e 4,97%.

Já a inflação suavizada 12 meses a frente voltou a ceder, passando de 5,34% para 5,32% de uma semana para outra - há um mês, estava em 5,55%. Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para agosto apresentou alta considerável, de 0,33% para 0,42%. Um mês antes, estava em 0,30%. No caso de setembro, a previsão subiu de 0,35% para 0,36%. Há quatro semanas, era de 0,35%. 

Para o Top 5, a taxa básica - que atualmente está em 14,25% ao ano - terminará 2016 em 13,75% ao ano. Uma semana antes, eles não previam nenhum corte para este ano e projetavam uma taxa básica de 14,25% ao ano. Há um mês, a projeção estava em 13,75%. Para o ano que vem, as estimativas do Top 5 ficaram estáveis em 11,25% ao ano, mesmo patamar de um mês atrás. 

PIB. As projeções do Relatório de Mercado Focus desta semana não mostraram alteração relevante nas expectativas para a atividade do Brasil em 2016. Os dados continuam mostrando uma forte recessão neste ano, segundo divulgação do Banco Central (BC). Pelo documento, as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) indicaram retração de 3,16%, pouco melhor que o recuo de 3,20% projetado uma semana antes. Há um mês, o mercado previa uma queda de 3,24%. 

Para 2017, o cenário é um pouco melhor, com perspectiva de PIB positivo. O mercado previu para o País, conforme o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 29, um crescimento de 1,23% no próximo ano, acima do 1,20% de alta projetado uma semana antes. Há um mês, estava em 1,10%. 

Em junho, o BC informou no Relatório Trimestral de Inflação que sua nova estimativa para o PIB deste ano era de retração de 3,3%, ante baixa de 3,5% vista na edição anterior do documento. No caso de 2017, a estimativa do Ministério da Fazenda, atualizada há duas semanas, é de 1,6% de crescimento. Antes, estava em 1,2%. Essa nova estimativa constará no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), a ser apresentado ao Congresso até o fim deste mês.  

No relatório Focus, as estimativas para a produção industrial ainda sugerem um cenário difícil. A queda prevista para este ano passou de 5,95% para 5,98%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial foi de 1,05% para 0,50%. Há um mês, as expectativas para a produção industrial estavam em recuo de 5,95% para 2016 e alta de 0,75% para 2017.  

Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano passaram de 45,25% para 45,00%. Um mês atrás, estava em 44,55%. Para 2017, as expectativas no boletim Focus foram de 49,65% para 49,10%, ante projeção apontada um mês atrás de 49,00%.

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