Analistas esperam novas ofertas pela canadense Potash

Anglo-australiana BHP Billiton poderá elevar a oferta pela maior produtora mundial de carbonato de potássio; já a Vale e a Rio Tinto podem apresentar contraofertas, avaliam analistas

Álvaro Campos, da Agência Estado,

17 de agosto de 2010 | 18h05

Após a fabricante de fertilizantes Potash Corp. rejeitar uma oferta de compra não solicitada da anglo-australiana BHP Billiton de US$ 38,56 bilhões, analistas acreditam que a mineradora poderá elevar a oferta pela maior produtora mundial de carbonato de potássio. Eles também afirmam que a brasileira Vale e a anglo-australiana Rio Tinto podem apresentar contraofertas.

O valor de US$ 130 por ação oferecido pela BHP hoje representa um prêmio de 16% sobre o valor do fechamento de segunda-feira das ações da Potash. Mas o executivo-chefe da empresa canadense, Bill Doyle, disse que a oferta foi muito inadequada e uma tentativa "mal disfarçada" de aproveitar o baixo valor das ações.

"É só o começo da dança", disse Pierre Bernard, gerente de fundos na IA Clarington Investments Inc. As ações da empresa estão 44% abaixo do pico atingido em junho de 2008. Hoje a companhia fechou com alta de 27,64% em Nova York, com os investidores sinalizando suas expectativas por uma oferta maior da BHP.

A Vale foi citada como a pretendente mais provável devido à sua força financeira. "É possível que a Vale seja uma das poucas companhias que possam estar interessadas, mas eu não tenho certeza de que eles estão olhando para isso nesse momento. A Vale deve esperar para ver o que acontece", disse Gavin Wood, analista da Nomura Securities. Ele acrescentou que a BHP deve estar disposta a pagar mais do que a Vale porque poderia obter economias significativas com sinergia ao fundir seu projeto de Jansen com a operação vizinha de Saskatchewan (ambas no Canadá), pertencente à Potash.

A Vale e a Rio Tinto se recusaram a comentar sobre uma potencial contraoferta pela Potash.

A indústria de fertilizantes continua a se recuperar da queda da demanda no ano passado, e a oferta global de alimentos está apertada, o que tem impulsionado a atividade de fusões e aquisições no setor. Grandes grupos mineradores diversificados, como a BHP, têm tentando entrar no mercado de potássio para alavancar sua capacidade de produção e ter acesso a um crescimento de longo prazo no setor de alimentos, especialmente em mercados emergentes.

A BHP já tem operações de potássio, e este ano comprou a companhia de exploração canadense Athabasca Potash por US$ 320 milhões. Se a empresa realmente comprar a Potash, ela controlará quase 30% da produção global de carbonato de potássio.

Mas a potencial perda da Potash, que antes era do governo de Saskatchewan e é uma das maiores contribuintes da província, pode gerar objeções de autoridades. O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse que autoridades federais "vão analisar" qualquer oferta de aquisição de uma empresa estrangeira pela Potash.

A Potash adotou uma "pílula de veneno" em seu Plano de Direitos de Acionistas para proteger a empresa de ofertas hostis, evitando que qualquer parte detenha mais de 20% de participação. Mas a "pílula de veneno" permite uma "competição entre ofertas permitidas" ou uma transação negociada.

"A empresa não está à venda. Nós não nos opomos a um acordo, mas certamente não esperamos que a empresa seja tomada dos acionistas", disse Doyle.

No último mês, a Potash informou que o lucro do segundo trimestre mais do que dobrou e elevou a referência de ganhos para 2010. A Potash produz 14 milhões de toneladas de carbonato de potássio anualmente e responde por cerca de 22% do total global. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.