Analistas estimam alta maior para dólar e juros

As incertezas em relação à capacidade de a Argentina honrar suas dívidas e retomar o crescimento têm provocado forte instabilidade no mercado financeiro. A apreensão dos investidores em relação aos efeitos de uma crise mais profunda no país vizinho provoca alta nas cotações do dólar e nas taxas de juros. Ontem, a moeda norte-americana fechou com alta de 1,12%, sendo cotado a R$ 2,26. No pior momento do dia, era vendida a R$ 2,2800.Analistas consideram que a reestruturação da dívida argentina é a única saída para uma recuperação do país vizinho. Enquanto isso não acontece, o clima de instabilidade perdura. Em entrevista à repórter do jornal O Estado de S. Paulo, Neusa Ramos, o economista do ABN Amro, Mário Mesquita, afirmou que o mercado resolveu esperar alguma atitude dos Estados Unidos em relação à Argentina. "Espera-se, por exemplo, o perdão do FMI pelo fato de o país não ter cumprido a meta de déficit no primeiro e segundo trimestres", completa o estrategista para a América Latina do ABN Amro, Arturo Porzecanski. Mesquita avalia que, se o pior cenário para a Argentina for confirmado - de renegociação da dívida - o preço do dólar no Brasil pode chegar a R$ 2,50, mas passado o susto, a moeda se estabilizaria em torno de R$ 2,40.A taxa básica de juro (Selic), por sua vez, seria elevada para cerca de 25% ao ano, um acréscimo de 8,75 pontos porcentuais aos atuais 16,25% ao ano. Os contratos negociados no mercado futuro, que espelham a expectativa da Selic para maio, atingiram 23% no pior momento de ontem, fechando em 20,33%.

Agencia Estado,

24 de abril de 2001 | 15h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.