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Analistas falam do impacto dos protestos no IED no País

A onda de protestos que tomou as ruas das principais cidades do País nos últimos dias pode afetar a entrada de investimentos estrangeiros no Brasil, na opinião do diretor do departamento da indústria e competitividade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alexandre Comin. Ele participa, nesta quarta-feira, 26, de debate de economistas promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), durante o lançamento do World Investment Report 2013, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês).

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

26 de junho de 2013 | 15h05

De acordo com ele, pesa contra os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil a questão de as empresas não estarem conseguindo aumentar os seus preços, o que, a longo prazo, afeta a rentabilidade sobre os investimentos. Para o economista e professor da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda, no curto prazo a onda de protestos poderá impactar negativamente os investimentos estrangeiros no Brasil. Ele acredita, no entanto, que no médio prazo, os investimentos deverão voltar.

Já o presidente da Sobeet, Luis Afonso Lima, é mais otimista. Ele não acredita que os investimentos deixarão de vir ou devem sair do País por causa da onda de manifestações. Ele prevê que o ingresso de investimento estrangeiro no Brasil em 2013 chegará aos US$ 65 bilhões, valor próximo ao de 2012. "Manter o volume de IED do ano passado já é muito bom", disse Lima.

Outros economistas presentes no debate, como o professor de MBA da Fipe-USP, Marcelo Allain, disseram que a questão da incerteza quanto aos marcos regulatórios é outro problema que pode afetar a evolução do Investimento Estrangeiro Direto no País. Ele citou também como exemplo de dificuldade a intervenção do governo no sentido de querer fixar taxa de retorno para os investimentos estrangeiros no País.

De 2011 para 2012, o Brasil passou da quinta para a quarta posição no ranking de destinos preferenciais de IED, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e de Hong Kong. No ano passado, os Estados Unidos receberam US$ 167,6 bilhões em IED; a China, US$ 121,1 bilhões; Hong Kong, US$ 74,6 bilhões; e o Brasil, US$ 65,3 bilhões.

De acordo com a Unctad, das 20 principais origens de IED no mundo, 8 não são economias desenvolvidas. Entre os países em desenvolvimento, destaque para a ascensão da China, Coreia do Sul, México, Cingapura e Chile como fontes de IDE. Neste ranking, no entanto, o Brasil não aparece.

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