Analistas falam sobre o setor petroquímico

Apesar do bom desempenho apresentado pelas empresas do setor petroquímico nos últimos anos, com a queda nos lucros apresentada nos balanços do segundo semestre de 2000, o segmento perdeu atratividade. Isso porque, segundo os analistas, o declínio nos resultados das empresas deve-se principalmente ao aumento do preço do nafta - derivado do petróleo e principal matéria-prima para as petroquímicas. O analista de Investimentos da Fator Doria-Atherino, Fernando Oliveira, afirma que, até o ano passado, a Petrobrás negociava o nafta com preço baixo, pois era subsidiada pelo governo. "Com a flexibilização do setor, passou a ser permitida a importação da matéria-prima, e o preço internacional mostrou-se mais barato", explica. Mas, de acordo com Angelo Larozi, analista da Corretora Souza Barros, para importar o produto, seria necessário um grande investimento inicial. Ele complementa que, quanto maior o investimento, menor será a margem de lucro no curto prazo, explica. Oliveira diz que o preço da tonelada importada somado aos investimentos necessários na infra-estrutura das empresas é equivalente ao valor da matéria-prima nacional. Além disso, segundo o analista da Planner Corretora de Valores, Mauro Mazzaro, as ações do setor já alcançaram seu preço justo no ano passado. Elaine Rabelo, analista da Coinvalores, acrescenta que o setor passa por um momento de incerteza, que gera instabilidade nos preços, desde o que é gasto nos custos na produção até a demanda. "O investidor que optar por ficar com os papéis deve estar sempre atento às oscilações e agir com cautela", diz. Falta de volume de negócios também é uma desvantagem Outro problema do setor é a falta de volume de negócios. Além disso, Elaine Rabelo explica que grande parte da procura por papéis do setor se concentra nas três grandes centrais - Copene, Copesul e Unipar -, fornecedoras do nafta às demais petroquímicas que o utilizam na industrialização de seus produtos. Apesar de não ser recomendado comprar ações do setor neste momento, Angelo Larozi, da Souza Barros, diz que o investidor que possui papéis da Copene em sua carteira deve mantê-los. Isso porque, com a proximidade do leilão de privatização, espera-se que o novo proprietário possa gerar maiores lucros à empresa e, conseqüentemente, valorizar a sua cotação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Vale lembrar, no entanto, que o possível retorno pode demorar a acontecer e o acionista que mantiver os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da Copene deve saber que tem um investimento de longo prazo, pois a data do leilão ainda não foi definida e também há dúvidas sobre os possíveis interessados em adquirir a companhia.

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