André Dusek/Estadão - 9/01/2018
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Analistas fazem aposta unânime em manutenção da Selic em 2% na reunião do Copom desta quarta

Taxa básica de juros está em 2% ao ano, a mais baixa da história; instituições ouvidas pelo 'Projeções Broadcast' acreditam que esse nível será mantido pelo menos até o fim do ano

Cícero Cotrim e Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 12h37

Sem uma definição para o futuro do teto dos gastos desde a última decisão de juros do Banco Central (BC), é unânime no mercado a avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 2% na reunião desta quarta-feira, 28, ao menos até o fim de 2020, mostra pesquisa Projeções Broadcast com 51 instituições.

Na pesquisa relâmpago feita logo após a divulgação do comunicado da última reunião do colegiado, no dia 17 de setembro, duas de 34 casas ainda enxergavam um novo corte, de 0,25 ponto porcentual, em outubro e Selic abaixo de 2% no fim de 2020.

Agora, para 11 instituições (22%), o BC deve começar a subir a Selic no primeiro semestre de 2021. Outras 22 casas (43%) esperam alta de juros a partir do segundo semestre do ano que vem, enquanto nove (18%) projetam elevação apenas na primeira metade de 2022.

Os membros do Copom divulgam a decisão de juros, após as 18h desta quarta.

Segundo os analistas ouvidos, com a falta de definição sobre o futuro do teto dos gastos enquanto a proposta do Orçamento de 2021 não é votada, o Copom deve continuar em compasso de espera e tolerar o aumento do risco fiscal de curto prazo.

No seu comunicado de setembro, o BC reforçou sua prescrição futura ao dizer que "não pretende reduzir o grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária", condicionalmente à manutenção do teto dos gastos.

Em relatório assinado pelo economista-chefe Mario Mesquita, o Itaú Unibanco afirma que, mesmo as declarações de membros do Copom ao longo das últimas semanas, de que a orientação futura seria abandonada em caso de piora nas perspectivas sobre as contas públicas, não ameaçam a prescrição.

"Tais sinalizações não devem resultar em modificação da postura de política monetária, já que não houve, pelo menos até o momento, uma mudança clara de regime fiscal", diz o relatório do Itaú. O banco projeta Selic estável até outubro de 2021.

O economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, também avalia que qualquer alteração nas regras apresentadas até aqui pela autoridade monetária só aconteceria a partir de uma mudança concreta do regime fiscal. "O BC tem enfatizado que a política monetária é uma passageira do risco fiscal, mas ele não vai se mexer antes de ter uma queda do teto de gastos", diz.

Mesmo com o aumento recente do risco fiscal de curto prazo, refletido nos prêmios de títulos públicos mais longos, as expectativas de inflação do mercado ainda continuam comportadas, lembra o economista. "Não existe um sinal do mercado que diga que existe um risco ao regime de metas", afirma Chermont.

Desde a última reunião do BC, a expectativa dos analistas ouvidos pelo relatório de mercado Focus para o IPCA de 2020 subiu de 1,95% para 2,65%, mas ficou praticamente estável para 2021 (3,01% para 3,02%), ainda abaixo da meta oficial (3,75%).

A tendência, diz Chermont, também é de normalização do risco fiscal depois de votado o Orçamento de 2021. Ele enxerga sinais positivos de Brasília e considera improvável uma alteração no teto dos gastos. A Quantitas projeta Selic estável em 2% até a primeira reunião do Copom de 2023.

O economista-chefe da Garde Asset, Daniel Weeks, trabalha com probabilidade grande de flexibilização do teto para acomodar um novo programa de transferência de renda no Orçamento de 2021, o que não implicaria em alta imediata dos juros.

Ele projeta manutenção da Selic em 2% até março de 2022, considerando um cenário no qual o País mantenha algum tipo de âncora fiscal e não assuma uma trajetória explosiva de dívida.

"O Brasil flerta com o precipício, mas não se joga e, para aumentar juros no ano que vem, teria de se jogar", diz Weeks. "O BC vai olhar inflação baixa, vai olhar hiato do produto e concluir que não tem motivos para subir juros, mesmo com uma deterioração marginal da política fiscal", completa o economista, que projeta IPCA de 2,80% em 2021 e de 3,30% em 2022.

Única instituição do levantamento a apostar em novas quedas da Selic, a Persevera Asset espera que a taxa chegue ao fim de 2021 em 0,5% e que o ciclo de aperto monetário só comece em 2023. Para o economista Nicolas Saad, há um processo desinflacionário no Brasil que afasta as preocupações com os preços.

"Ano após ano vemos o IPCA mais baixo e o crescimento decepcionante, e a gente acha que isso vai continuar acontecendo em 2021", resume Saad, para quem a fraqueza econômica ainda abre espaço para novos cortes de juros.

O economista espera manutenção do teto de gastos e diz que a situação fiscal é menos negativa do que o mercado avalia. "O fiscal está bem mais desconfortável agora do que antes, mas a dívida pública brasileira está blindada pelo cenário de juros", afirma.

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