Clayton de Souza, Dida Sampaio e Tiago Queiroz/Estadão
Clayton de Souza, Dida Sampaio e Tiago Queiroz/Estadão

Analistas revisam projeções do PIB e já preveem queda de até 4% em 2015

Banco Fibra agora projeta contração de 3,8% da economia neste ano; para o mercado, resultado do 3º trimestre trouxe surpresas negativas

Mário Braga e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 11h44

SÃO PAULO - A queda de 1,7% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre ante o anterior leva o mercado a uma série de revisões nas projeções para a atividade econômica neste e no próximo ano. Entre os mais pessimistas, a projeção de baixa deve chegar a 4%.

"O mercado deve cortar a estimativas para 2015 para quedas entre 3,7% e 4%. Ainda farei os cálculos, mais com certeza vou revisar expectativa de recuo de 3,3% para este ano e de 2,5% no ano que vem", afirmou a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado.

O Banco Fibra já revisou para baixo sua projeção deste ano e também para 2016. De acordo com análise do economista-chefe do banco, Cristiano Oliveira, a economia deve sofrer contração de 3,8% em 2015, e não mais de 3,1%. Para 2016, a estimativa passou de recuo de 2,6% para declínio de 3,1%. Ao avaliar os dados do PIB do terceiro trimestre, Oliveira disse que não há nada que permita visualizar cenário positivo. "Nossa avaliação é que o atual quadro recessivo deve prolongar-se ao longo do restante do ano e do próximo", avaliou.

Questionada sobre as perspectivas de retomada da economia, Solange lembra que com a atual visibilidade zero sobre o cenário econômico é difícil estimar um momento para o início da recuperação. "Talvez nem em 2017. Pelo ritmo das quedas e o carrego estatístico que isso implica, devemos ter um ano de estagnação ou até mesmo de mais uma retração", estimou.

Na visão do economista do Banco Fibra, este cenário é resultado de fatores estruturais relacionados a limitações no campo da oferta e também herança do deficiente gerenciamento macroeconômico adotado entre 2011 e 2014, "a fracassada nova matriz macroeconômica". "Com o forte recuo dos investimentos, a taxa de crescimento do PIB potencial apresenta significativa e preocupante desaceleração nos últimos trimestres.

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'Nossa avaliação é que o atual quadro recessivo deve prolongar-se ao longo do restante do ano e do próximo' - economista-chefe do banco, Cristiano Oliveira
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Supresas. A especialista da ARX destacou que houve surpresas negativas em diversos componentes do PIB no terceiro trimestre. Diversos indicadores apresentaram os piores desempenhos da série histórica, iniciada em 1996, entre eles a queda do PIB nas comparações mensal (-1,7%), interanual (-4,5%), no acumulado do ano (-3,2%) e nos últimos quatro trimestres (-2,5%). Mas os dados mais preocupantes, avalia Solange, são as quedas recordes dos investimentos (-15%) e do consumo das famílias (-4,5%), na comparação com o terceiro trimestre de 2014. "A absorção interna está caindo muito fortemente e não vejo expectativa de esses dois componentes voltarem a crescer tão cedo", ponderou.

Solange ressalta que para haver retomada de investimentos, é necessário uma solução definitiva para a questão fiscal brasileira. "Se não for resolvido o lado fiscal, a dinâmica dívida/PIB fica explosiva e se fica sem perspectiva de crescimento. Neste cenário, não há investimento" resumiu. A economista-chefe da ARX destaca ainda que a deterioração cada vez mais forte do mercado de trabalho sinaliza que dificilmente haverá recuperação no consumo das famílias nos próximos trimestres. "Isso é muito grave, porque vamos ter uma queda acumulada de quase 7,0% em dois anos consecutivos e, pode até demorar um pouco, mas os impactos sobre emprego e renda vão ser fortes e a sociedade vai sentir muito essa queda no PIB", afirmou.

Apesar do desempenho ruim da atividade econômica, Solange avalia ser necessário esperar o detalhamento da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária para se estimar com mais clareza quais os próximos passos da política monetária. No entanto, ela afirma que o Banco Central deve elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto na reunião de janeiro, para 14,75%. "Acho que o PIB fraco tende até a sensibilizar o BC, mas os dados de inflação também são muito ruins", afirmou. 

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