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Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Analistas listam possibilidades sobre decisão do Fed

A decisão do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fomc), a ser anunciada nesta terça-feira, é considerada um dos eventos mais cruciais dos últimos tempos para os mercados mundiais e determinará os rumos dos ativos dos países emergentes, pelo menos no curto prazo. Mas investidores e analistas consultados pela Agência Estado acreditam que muito dificilmente as incertezas vão evaporar. Eles trabalham com um leque de possibilidades em torno do resultado. Se for confirmada a aposta majoritária dos analistas de que o ciclo de aperto monetário será suspenso, deixando os juros em 5,25% ao ano, a tendência positiva que sustenta os emergentes nas últimas semanas deverá ser estendida. Se o Fed, o banco central norte-americano, aliviar sua preocupação com a expectativa inflacionária, essa alta deverá ser vigorosa, talvez eufórica. Mas se essa decisão for acompanhada por um comunicado cauteloso que seja interpretado com um sinal de possíveis novas altas dos juros nos próximos meses - o que também é a aposta majoritária nos mercados - esse efeito positivo deverá ser mais limitado.Por outro lado, caso o Fed surpreenda - uma possibilidade cogitada por poucos, mas relevantes, estrategistas estrangeiros - elevando a taxa para 5,5%, o impacto imediato deverá ser negativo para os emergentes. No entanto, se tal decisão for acompanhada por um comunicado que sinalize claramente uma pausa no aperto monetário a partir de setembro, as perdas dos emergentes poderão limitadas e temporárias. Se o Fed aumentar os juros e alertar que pode vir mais aperto em setembro, o tombo dos mercados poderá ser mais doloroso e duradouro.Além de todas essas variantes, que em parte dependerão da interpretação sempre obtusa pelos mercados do comunicado do Fed, será importante verificar como ficará o sentimento dos investidores em relação ao ritmo da desaceleração norte-americana. Uma pausa nos juros, embora positiva, poderia ser rapidamente ofuscada pelo aumento do temor de uma recessão nos Estados Unidos, que teria potencialmente efeitos nocivos para os emergentes, principalmente nos mercados acionários. Isso sem falar na escalada dos preços do petróleo, que se ampliada poderia fortalecer o grau de incerteza.Botão de pausa O banco HSBC acredita que o Fed apertará o botão de pausa, mas alerta que como os mercados atribuem uma probabilidade de apenas 24% para uma alta nos juros, se ela ocorrer isso representará uma surpresa. O estrategista para câmbio do banco britânico, Clyde Wardle, afirma que, independente da decisão sobre os juros, o comunicado não deverá dar uma indicação clara de que o ciclo de aperto monetário foi encerrado e isso não deverá ser muito benéfico para os emergentes. "O comportamento dos mercados acionários continua sendo um fator chave para os emergentes", disse Wardle. "O abastecimento de petróleo preocupa e caso o preço do barril passe dos US$ 80, as bolsas ter dificuldades em manter seu atual momento positivo." O analista observa que, ironicamente, embora uma nova alta nos juros dos Estados Unidos surpreenderia e não seria favorável para os emergentes no curtíssimo prazo, a avaliação dos mercados poderia ser rapidamente revertida, com os investidores percebendo que com as taxas subindo para 5,5% as chances de novas altas seriam muito menores. O Goldman Sachs prevê que o Federal Reserve elevará os juros em 0,25 ponto porcentual e não fechará a porta de novos cortes nos próximos meses. Os analistas Thomas Stolper e Fional Lake, do banco norte-americano, observam que nos últimos tempos os mercados de renda fixa e câmbio e acionários emergentes, inclusive os de maior risco, se beneficiaram com a expectativa de uma pausa nos juros. "Sob um ponto de vista de tática de curtíssimo prazo, esperamos que muitos desses negócios sejam desmontados se o Fed elevar os juros e continuar a mostrar preocupação com a perspectiva inflacionária", afirmaram.Otimismo aos emergentes Já em relação ao futuro não tão próximo, Stolper e Lake demonstram mais otimismo com os emergentes. Eles prevêem que em 2007, o Fed iniciará um ciclo de relaxamento monetário, reduzindo os juros a 4% no final daquele ano. "A perspectiva de médio para longo prazo para os mercados emergentes, principalmente para aqueles com características estilo Bric, continua muito favorável", afirmaram. "Pode ocorre volatilidade ocasional, mas no geral, a perspectiva de produtividade e demográfica, com também as melhoras nas tecnologias de transporte e comunicação deverão garantir um forte crescimento duradouro e potencial de valorização dos ativos desses países."

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