Analistas: pessimismo do mercado foi pontual

Analistas ouvidos pela Agência Estado concordam que o pessimismo dos mercados hoje foi resultado do movimento de venda de papéis para embolsar os ganhos dos últimos dois meses. Segundo eles, a disputa pelas Presidências da Câmara e do Senado foi um fator de tensão, assim como o medo de uma recessão nos Estados Unidos, mas o movimento foi pontualO diretor de renda variável do BNP Asset Management, Nicolas Balafas, disse que dadas as altas acumuladas de janeiro e fevereiro, que somam 33%, já era esperada uma realização de lucros. Ele lembra, porém, que o cenário positivo da economia permanece inalterado, com crescimento econômico, inflação em queda e contas do governo equilibradas.Para o estrategista do Banco Sudameris, José Roberto Aoki, a coincidência com a divulgação dos dados do NAPM, o índice dos gerentes de compra americanos, que decepcionou os investidores, e a briga política entre os aliados do governo foi o pretexto para a queda da Bolsa. Segundo ele, os mercados vinham operando com estabilidade e a tendência de longo prazo está mantida, mas o noticiário do dia propiciou a especulação. Ele espera que a retomada da alta ocorra nos próximos dias.O analista do HSBC, Fábio Zagatti, também não acredita numa continuidade das quedas e ressalta que o fracasso do leilão de licitação da banda C de telefonia celular, com a apresentação de apenas um concorrente, frustrou o mercado de câmbio. Para ele, os investidores esperavam uma forte entrada de divisas, que provavelmente não ocorrerá, pois, mesmo que o leilão não seja cancelado, não haverá ágio pela falta de concorrentes.

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