Analistas preveem alta de 0,8% para o PIB no 2º trimeste

Após divulgação do IBC-Br de maio, porém, já há projeções de alta inferior ao 0,6% do primeiro trimestre

O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h10

A maior parte dos analistas ouvidos pela serviço AE Projeções, da Agência Estado, prevê um crescimento de 0,8% para o crescimento do Produto Interno Bruto no segundo trimestre, resultado de um desempenho melhor esperado para a indústria em junho. Mas já há analistas que apontam para um PIB inferior ao 0,6% registrado no primeiro trimestre.

Para o ex-diretor do Banco Central e sócio da Schwartsman & Associados, Alexandre Schwartsman, o resultado do segundo trimestre deve ficar em 0,45%. Segundo ele, a expectativa se deve ao resultado abaixo do esperado para o IBC-Br, que era de retração de 0,5% em maio e veio com queda de 1,4%.

"Sugere um segundo trimestre mais fraco que o anterior por causa dos protestos nas ruas, com algum impacto no varejo e na indústria", disse, completando que "provavelmente" o crescimento econômico deve ser melhor nos trimestres seguintes. "Não deve ser uma recuperação extraordinária, mas uma 'barrigada'."

Schwartsman ressalta ainda que o desempenho abaixo do previsto do IBC-Br pode levar o BC a diminuir o tamanho do ciclo de alta do juro básico este ano. O ex-diretor do BC disse que, antes mesmo da divulgação do indicador do BC, já estava projetando elevação menor na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto, de 0,25 ponto porcentual, e não de 0,5 ponto, como a maior parte do mercado prevê.

Para o superintendente de Tesouraria do Banco Indusval & Partners (BI&P), Daniel Luis Moreli Rocha, o PIB deve mostrar alta de 0,65% no segundo trimestre, sendo amparado pelo setor industrial, que pode voltar a subir em junho. "A indústria deve vir com um bom desempenho. O consumo das famílias, que foi péssimo no primeiro trimestre, talvez tenha um resultado um pouco melhor", avaliou.

Moreli Rocha disse que o crescimento esperado para o PIB no trimestre ainda deverá ser impulsionado pela agricultura, por causa da colheita de grãos. "A grande contribuição foi mesmo no primeiro trimestre, mas ainda deve ter algum resquício da safra recorde", disse Moreli Rocha.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, está um pouco mais otimista que o colega do Indusval, ao prever expansão de 0,8% do PIB no segundo trimestre ante o anterior.

Ele, contudo, não descarta um crescimento inferior a essa marca. "Estamos com 0,8%, mas se considerarmos uma taxa zero para o IBC-Br (de junho) o PIB ficaria mais perto de 0,5%", disse. / MARIA REGINA SILVA, FLAVIO LEONEL E DENISE ABARCA

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