Analistas preveem flexibilização do acordo de austeridade da Grécia

Embora esteja alinhado com a chamada troica, o Nova Democracia já manifestou intenção de renegociar pontos do acordo de austeridade

Daniela Milanese, correspondente ,

18 de junho de 2012 | 14h05

A Grécia deve conseguir alguma flexibilidade para o cumprimento do plano de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, após a vitória dos conservadores nas eleições de ontem, na avaliação de analistas. Embora esteja alinhado com a chamada troica, o Nova Democracia já manifestou intenção de renegociar pontos do acordo de austeridade.

Ainda assim, o país estará mergulhado em muitas incertezas, diante do ambiente de depressão econômica. Também há dúvidas sobre a solidez do novo governo de coalizão que deve ser formado entre os conservadores e os socialistas do Pasok, antigos inimigos políticos. Outro ponto é que as finanças gregas se desestabilizaram ainda mais nas últimas semanas de campanha eleitoral, com a corrida aos bancos do país e possíveis novos buracos fiscais.

"A boa notícia é que parece existir mais flexibilidade de parte dos credores europeus, para dar mais tempo para que a redução do déficit seja atingida, mas a Grécia continua sobre uma camada de gelo fino", afirmou Thomas Costerg, analista do Standard Chartered, à Agência Estado.

Paolo Pizzoli, analista do ING, acredita numa renegociação moderada do acordo, tendo em vista as primeiras reações favoráveis de autoridades europeias sobre o resultado das urnas gregas, interpretado como pró-euro. "Parece que a Grécia terá um governo de coalizão apto para negociar construtivamente com a troica os contornos do segundo plano de resgate", escreve David Mackie, analista do JPMorgan, em relatório a clientes.

O líder do Nova Democracia, Antonis Samaras, tem três dias para formar um governo. Junto com o Pasok, os partidos ficarão com 162 dos 300 assentos do parlamento, garantindo maioria para a esperada coalizão, algo que não tinha sido possível na eleição anterior.

Ainda assim, analistas continuam temendo pela estabilidade política da Grécia no futuro, em razão da grave crise. "Ainda há dúvidas sobre a solidez de uma provável união entre o Nova Democracia e o Pasok, não podemos esquecer que os partidos estiveram em desacordo no passado", disse Costerg.

A troica deve retornar para Atenas após a formação do governo. As conversas entre as partes estão congeladas desde a convocação de novas eleições, há cerca de seis semanas.

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