Analistas prevêem manutenção da Selic

A maior parte dos analistas acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai anunciar hoje a manutenção da taxa básica da economia - Selic - em 19% ao ano, principalmente por causa das pressões sobre a inflação. Além disso, a persistência de alguns riscos no cenário externo - como uma eventual piora mais acentuada da crise da Argentina - também deve impedir uma queda dos juros. Essa é a opinião predominante no mercado, mas alguns poucos economistas entendem que há espaço para um corte de meio ponto porcentual da Selic, pois o dólar e o preço do petróleo recuaram com força nas últimas semanas, melhorando as perspectivas para a inflação. O economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, defende a manutenção da Selic, ressaltando que a inflação corrente ainda está elevada. Ele estima que o IPCA deve ficar em 7,2% neste ano, bem acima do teto definido para a meta inflacionária de 2001, de 6%. O IPCA de outubro, por exemplo, atingiu 0,83%, acima do 0,55% previsto pelos analistas. Para Abate, a recente queda do dólar não é suficiente para justificar uma redução da Selic. Ele lembra que, em julho, quando o Copom elevou os juros de 18,25% para 19%, o dólar estava em R$ 2,50 - abaixo, portanto, dos R$ 2,555 registrados ontem. Abate afirma ainda que a expectativa do mercado para a inflação de 2002 também recomenda cautela ao Copom. Segundo a mais recente pesquisa semanal do BC, a mediana das estimativas de bancos e consultorias apontam um IPCA de 5,11% no ano que vem, bem acima do centro da meta, de 3,5%, com tolerância de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. O cenário externo também não é dos mais propícios para a redução da Selic, afirma o economista-chefe do WestLB Banco Europeu. Para ele, o principal risco para o Brasil é uma eventual piora da situação da Argentina. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Luiz Carlos Costa Rego, por sua vez, acredita que o Copom, pode, sim, reduzir a Selic. Para ele, o núcleo do IPCA, calculado com a exclusão de preços administrados (energia, combustíveis, telecomunicações) e de alimentos, está comportado. Nos últimos 12 meses terminados em outubro, por exemplo, esse indicador ficou em 4,28%, bem abaixo dos 7,19% registrados pelo IPCA cheio. Costa Rego entende que esse núcleo é o indicador mais relevante, porque mostra o comportamento dos preços livres, os que realmente podem ser influenciados pela política monetária. "Mas o BC parece preferir o núcleo calculado por médias aparadas - em que se excluem as maiores e menores variações de preços". Por esse método, a inflação está em 6,57% nos últimos 12 meses. Costa Rego espera uma inflação bem menor em 2002, o que também justificaria um corte da Selic. A queda do dólar, o tombo do petróleo e a perspectiva de uma ótima safra agrícola no ano que vem devem fazer o IPCA ficar perto ou até abaixo da meta de 3,5%, afirma ele.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2001 | 12h11

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