André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Analistas preveem tombo de 6,48% do PIB em 2020 e menor inflação desde o início do Plano Real

Foi a 17ª redução seguida na projeção para a atividade econômica do País, de acordo com relatório divulgado pelo Banco Central

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 10h01

BRASÍLIA - Os analistas do mercado financeiro reduziram pela décima sétima vez seguida a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e também baixaram a expectativa de inflação em 2020. 

Para o PIB de 2020, a projeção passou de 6,25% para 6,48%. As projeções fazem parte do boletim de mercado, conhecido como relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 8, pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

A nova redução da expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão.

Em 13 de maio, o governo brasileiro estimou uma queda de 4,7% para o PIB de 2020, tendo como base a perspectiva de que as medidas de distanciamento social terminariam no fim de maio, o que não aconteceu.

O Banco Mundial prevê uma queda de 5% no PIB brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima um tombo de 5,3% em 2020. Para o próximo ano, a previsão do mercado financeiro para o crescimento do PIB permaneceu estável em 3,5%.

Inflação abaixo de 2%

Segundo o relatório divulgado pelo BC, os analistas do mercado financeiro reduziram, de 1,55% para 1,53%, a estimativa de inflação para 2020. Foi a 13ª redução seguida do indicador.

Se confirmado, esse será o menor patamar desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BGE), em 1995. A menor inflação registrada, desde então, foi em 1998 (1,65%).

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro manteve em 3,10% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Taxa básica de juros

O mercado segue prevendo corte na taxa básica de juros da economia brasileira neste ano. Atualmente, a taxa Selic está em 3% ao ano. A previsão dos analistas para a taxa Selic, no fim de 2020, ficou estável em 2,25% ao ano.

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado subiu de 3,38% para 3,50% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.