Analistas querem incentivos para o pregão noturno

O pregão noturno da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), conhecido como After Market, precisa de mais incentivos para tornar-se popular. A avaliação é feita por analistas, que reclamam mudanças nas regras desse mercado. O chefe da área de análise da Novação Corretora, José Manoel Amorim, condena o limite máximo de variação nos preços das ações no After Market. Segundo a regra, não é possível realizar negócios a uma cotação maior que 2% - para cima ou para baixo - sobre o preço de fechamento do pregão regular. Esse mecanismo existe para que não haja grandes oscilações após o pregão, já que o volume de negócios é muito baixo. Evita-se, com isso, que alguma notícia divulgada à tarde ou à noite afetem demais as cotações. Mas para o analista da Novação, o critério acaba restringindo os ganhos no mercado noturno, deixando de atrair investidores. Amorim acredita que, se o limite fosse ampliado, o número de investidores aumentaria sensivelmente.O gerente de renda variável do Investshop, Rafael Parga, concorda com Amorim sobre a necessidade de oferecer incentivos, mas acha que o intervalo de 2% deve ser mantido, por representar uma segurança ao pequeno investidor. Em geral, esse público não está acostumado à possibilidade de grandes oscilações do mercado e não tem tempo para acompanhar o pregão diurno, afirmou.O gerente de operações da corretora Nettrade, Eduardo João Alvarenga, também acredita que o limite de variação para os papéis deve ser mantido, até que o pequeno investidor esteja acostumado a operar no mercado.Existe restrição nas aplicações via InternetOutra restrição no After Market diz respeito ao valor que cada investidor pode operar via Internet, utilizando o sistema Home Broker da Bolsa. O limite é de R$ 50 mil por dia. A redução dos custos sobre as negociações do pregão noturno é considerada pelos analistas como a opção mais viável, no momento, para chamar a atenção dos investidores e incrementar o volume negociado.Em média, o After Market tem registrado volume financeiro diário de R$ 1 milhão, com 200 transações. O pico de negociação ocorreu em 20 de junho passado, quando o governo anunciou uma redução de um ponto percentual na taxa básica de juros (Selic).O recorde de volume - de R$ 7,220 milhões - foi registrado em 05 de junho, quando notícias positivas sobre a economia americana influenciaram os mercados. Amorim, da Novação, acredita que a Bovespa poderia oferecer algum incentivo para que as corretoras diminuíssem suas taxas de corretagem no After Market. A cobrança média é hoje de 0,6% sobre o volume transacionado pelo cliente.

Agencia Estado,

16 de agosto de 2000 | 09h17

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