André Dusek/Estadão
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Analistas reduzem projeção para o PIB de 2020 para queda de 6,51%

Segundo o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão para o IPCA no fim do ano subiu para alta de 1,60%, o que ainda seria a menor inflação desde o início do Plano Real

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 10h27

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro cortaram novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. A expectativa para a atividade econômica este ano passou de retração 6,48% para queda de 6,51%. Para 2021, foi mantida a projeção de crescimento do PIB de 3,50%.

As projeções fazem parte do boletim de mercado conhecido como relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 8, pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB recuou 1,5% no primeiro trimestre de 2020, ante o quarto trimestre de 2019. O resultado do período ainda não foi totalmente afetado pelas medidas de isolamento social para contar o avanço do coronavírus, que fecharam comércio e fábricas e derrubaram o consumo a partir da segunda metade de março.

No dia 13 de maio, o governo brasileiro passou a estimar queda de 4,7% para o PIB de 2020, tendo como base a perspectiva de que as medidas de distanciamento social terminariam no fim do mês passado, o que não aconteceu.

O Banco Mundial prevê uma queda de 5% no PIB brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima um tombo de 5,3% em 2020.

Para a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já é certo que o Brasil passará por uma recessão “profunda” este ano por causa das consequências da pandemia de coronavírus. A entidade prevê que a queda do PIB brasileiro erá de 7,4% em 2020, mas poderá chegar a 9,1% se houver uma segunda onda de covid-19 no País no último trimestre do ano.

Sem alteração nos juros

À espera da decisão de política monetária do Banco Central na próxima quarta-feira, 17, os economistas mantiveram suas projeções para a Selic, a taxa básica de juro, em 2,25% ao ano no fim de 2020. A estimativa para o fim 2021 passou de 3,50% para 3,00% ao ano.

No início de maio, ao cortar a Selic de 3,75% para 3,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou que, para a próxima reunião, "considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da covid-19". "No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e ressalta que novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos", ponderou o colegiado.

Ajuste na inflação

Os analistas elevaram a previsão para o IPCA, o índice oficial de preços, em 2020 de alta de 1,53% para 1,60%.

Esse seria o menor patamar  da inflação desde o início da série histórica do IBGE, em 1995. A menor inflação registrada, desde então, foi em 1998 (1,65%).

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro reviu sua projeção de 3,10% para 3,00%. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

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