Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Mercado relata a BC temor de contágio da greve dos caminhoneiros na atividade econômica

Paralisação nas estradas deve mitigar ainda mais o crescimento, disse um interlocutor; mas inflação não deve ser preocupação para o Banco Central

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 18h07

A atividade grevista dominou a reunião de analistas do Rio de Janeiro com o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Viana de Carvalho, segundo fontes disseram ao Estadão/Broadcast

A despeito de o controle da inflação ser o mandado do BC, os presentes demonstraram ainda mais cautela em relação à dinâmica frágil da retomada econômica, em meio a greve dos caminhoneiros, que paralisou o País nos últimos dias.

As reuniões trimestrais da diretoria do BC com os analistas são usadas pela autoridade monetária para colher do mercado as percepções sobre inflação, atividade e economia internacional. As informações são usadas como subsídios para a confecção do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Apesar do ruído provocado na comunicação do BC logo após a entrevista concedida pelo presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, dias antes do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio, à GloboNews, os analistas afirmaram que o tema não foi discutido no Rio na tarde de hoje. "Na ata, o BC já havia esclarecido o mal entendido", disse um participante. "O que ficou foi mais incerteza com o efeito da greve na atividade."

Além do cenário já incerto em relação às eleições, que vem minguando os investimentos, a paralisação nas estradas deve mitigar ainda mais o crescimento, disse um interlocutor. Segundo ele, na média a expectativa é de que as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano sofram queda em torno de meio ponto. "Se alguém que está com 2,5%, deve ir para 2%, enquanto quem está com 1,50%, tende a caminhar para 1%. O problema é que ninguém sabe o tamanho do estrago", acrescentou.

"Houve consenso na reunião de que as estimativas para o PIB devem cair mais. Muitos estão estimando alta entre 1,5% e 2%", contou outra fonte.

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Diante do ambiente de fraqueza econômica, os agentes teriam dito a Viana que por ora a inflação não deve ser preocupação para o Banco Central. "A inflação pode acelerar no curto prazo em função do choque, mas a atividade esta sendo revisada para baixo de novo. Por isso não deve ser problema para o BC", avaliou um outro participante da única reunião no Rio nesta tarde.

Para um outro economista, da mesma forma que a inflação pode acelerar, também tende a diminuir, caso a greve tenha um desfecho. "Da mesma forma que veio, vai. O efeito deve ser pequeno. Agora, com a atividade é diferente. A economia já está muito fraca", afirmou um outro analista, citando que as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2018 estão subindo para perto de 4%, mas ainda abaixo do centro da meta de 4,50%.

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No levantamento Focus desta semana, a projeção mediana para o IPCA subiu para 3,60%, enquanto para o PIB de 2018 é de alta de 2,37%. Mas, no mercado, já há quem veja viés de baixa até a faixa de 1% este ano. A intenção dos economistas é aguardar o resultado do PIB do primeiro trimestre para depois ajustar as estimativas para o crescimento econômico de 2018.

A despeito das dúvidas em relação ao quadro internacional, o economista disse que alguns participantes demonstraram certa tranquilidade. "Mesmo com o dólar subindo, a inflação não deve disparar. A maior preocupação foi com a atividade", disse. Já outros, completou, se mostraram mais apreensivos com os efeitos externos no câmbio e, consequentemente, na inflação.

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Os economistas ouvidos disseram que Viana não teceu comentários durante o encontro no Rio. Nesta terça-feira (29), o diretor tem dois encontros na capital paulista: um pela manhã e outro à tarde.

A próxima divulgação do RTI será no dia 28 de junho.

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