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Analistas revisam projeções para a economia no 1º trimestre

Banco Central e o Instituto Brasileiro de Economia da FGV revisaram os dados de janeiro do Monitor do PIB

Maria Regina Silva e Daniela Amorim, Broadcast

17 de abril de 2017 | 22h11

As revisões que o IBGE fez na metodologia de cálculo das pesquisas mensais de Comércio e Serviços do IBGE, que melhoraram os dados desses segmentos em janeiro – e consequentemente no IBC-Br do primeiro mês do ano – aumentam as expectativas de um resultado melhor no PIB do primeiro trimestre de 2017. O resultado do ano, entretanto, ainda é tratado com cautela por analistas. Eles aguardam mais informações para possivelmente refazer suas estimativas.

A exemplo do que o Banco Central fez ontem com o IBC-Br, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) também revisará os dados de janeiro do Monitor do PIB, que busca antecipar os resultados das Contas Nacionais.

Segundo a última estimativa divulgada pelo Monitor, o PIB caiu 0,67% em janeiro de 2017 ante dezembro de 2016. Na comparação com janeiro do ano anterior, o PIB recuou 1,2% em janeiro deste ano. A próxima divulgação, marcada para a quinta-feira, 20, deve trazer dados positivos tanto para janeiro quanto para fevereiro, contou Claudio Considera, responsável pelo Monitor do PIB.

“A revisão vai ter impacto. Porque os dados das pesquisas estão no setor de serviços, que é muito forte nas Contas Nacionais, pesa cerca de 68% do PIB”, justificou Considera, que já foi coordenador de Contas Nacionais no IBGE.

Melhora. Para o economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, embora tenha havido uma “quebra” na série do IBGE, as mudanças eram necessárias e devem captar melhor o desempenho da economia.

“Tira um pouco a pressão daqueles que esperavam PIB em torno de zero no primeiro trimestre”, avalia, acrescentando que ainda não fechou a projeção para o dado do período de janeiro a março. Na opinião dele, as modificações atrapalharam um pouco os cálculos das expectativas de curto prazo. Contudo, não devem ser suficientes para provocar ajustes substanciais nas previsões para o PIB fechado em 2017.

Por enquanto, a RC Consultores estima alta de 0,7% para o PIB deste ano. O analista quer esperar os dados do primeiro trimestre para fazer eventual ajuste na estimativa. Segundo Caparoz, os fundamentos ainda limitam uma retomada mais expressiva em 2017, especialmente em razão das condições desfavoráveis do emprego.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, as alterações só reforçam sua percepção de que o País deve ter voltado a crescer no primeiro trimestre. Diante da expectativa de expansão do PIB da agropecuária e dos efeitos da queda dos juros na economia, ele avalia que “não será difícil” a atividade crescer 1% este ano.

“Os dados revisados confirmam a expectativa de que a economia está melhor neste começo de ano. Mesmo suavizados, a sinalização continuaria sendo de crescimento”, afirmou.

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