Analistas se defendem contra volatilidade da bolsa de valores

Analistas se defendem contra volatilidade da bolsa de valores

As incertezas sobre a aprovação ou não da reforma da Previdência têm causado forte volatilidade na bolsa de valores, de maneira que alguns analistas optaram por papéis conhecidos pela capacidade de 'defesa', no jargão dos profissionais do mercado

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2017 | 05h00

As incertezas sobre a aprovação ou não da reforma da Previdência têm causado forte volatilidade na bolsa de valores, de maneira que alguns analistas optaram por papéis conhecidos pela capacidade de “defesa”, no jargão dos profissionais do mercado. São ações de empresas bem geridas, que costumam oscilar menos, em cenários de aversão ao risco.

O analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, por exemplo, trocou a ação do estatal Banco do Brasil - um dos papéis que se mostrou mais volátil com o ambiente político, nesta semana - por Raia Drogasil.

“No cenário atual, as ações a serem escolhidas devem ter caráter de liderança no setor em que atuam, resiliência e boa gestão financeira, características estas que estão presentes na Raia Drogasil”, explica Suzaki.

“Ainda podemos considerar empresas do setor de seguros, com destaque para BB Seguridade, também presente na carteira”, acrescenta, lembrando da política robusta de dividendos da companhia de seguros.

A equipe de análise da Magliano também adotou a estratégia de se defender. Entre as indicações da corretora para esta semana está a Ambev, que pode se beneficiar da retomada da demanda por seus produtos no mercado doméstico, e duas empresas do setor elétrico: Taesa e AES Tietê.

Taesa conta com boa estrutura de capital e projetos com potencial de agregar geração de caixa nos próximos resultados. Já AES Tietê tem forte potencial de geração de caixa e valor ao acionista, explicam os analistas da Magliano.

Também entrou na carteira da corretora nesta semana a Gerdau. “Continuamos apontando as ações da Gerdau como o melhor veículo para o investidor que queira se posicionar em ações de siderurgia no Brasil. O preço da ação não registrou a alta observada com os papéis dos seus pares do setor Usiminas e CSN”, justificam os analistas da casa.

A XP Investimentos é outra corretora que indicou Gerdau. Para a equipe de análise, a siderúrgica apresenta geração de caixa satisfatória e, após os resultados recentes, tem sinalizado que os principais segmentos em que atua ensaiam recuperação. “O segmento de construção civil começa a dar os primeiros sinais de que o pior ficou para trás no Brasil e o setor de infraestrutura pode começar a ganhar fôlego nos Estados Unidos, conforme forem anunciados novos investimentos”, afirma o time.

Enquanto não houver uma definição no Congresso quanto à reforma da Previdência, as ações devem seguir apresentando forte oscilação, em especial aquelas que possuem beta maior, como dizem os profissionais do mercado. Beta é indicador que mede o grau de oscilação de uma ação em relação ao Índice Bovespa durante certo período. Ricardo Vilhar Peretti, estrategista do Santander, diz que o ideal é se expor a companhias de beta menor do que 1, pois, em tese, irão acompanhar as oscilações do Ibovespa com menor intensidade.

“Quanto às alternativas, uma de nossas top picks se enquadra neste perfil mais defensivo. A transmissora de energia Taesa possui receitas indexadas pela inflação e não depende do nível de chuvas, já que ela é remunerada pela disponibilidade das suas linhas de transmissão. Isso tudo torna seus fluxos de caixas mais previsíveis, o que faz da companhia uma das opções mais seguras em tempos de incertezas”, afirma Peretti.

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