Analistas temem centralização do câmbio

É praticamente impossível encontrar alguém no mercado que aposte que o próximo governo, de oposição ou não, venha a adotar, espontaneamente, uma centralização de câmbio. Mas a hipótese de que seja obrigado a assumir esse tipo de controle, embora ainda no rol de piores cenários, não está descartada. A crítica que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, dirigiu aos analistas que aventam a possibilidade de controle de câmbio, mostra que o tema tem aparecido, ainda que de forma sutil, na imprensa e no meio econômico.Dizem os analistas que as dúvidas têm como base a falta de definição sobre qual seria a opção monetária do próximo governo num cenário extremo, de dólar e inflação nas alturas. Pelo receituário atual, a resposta governamental passaria pela elevação das taxas de juros, acompanhada de proporcional aumento na meta de superávit fiscal primário. O grande problema é que esta resposta clássica não será tão fácil de ser adotada no próximo governo, independente de sua coloração partidária. Aí é que reside a dúvida do mercado. É fato conhecido que a realidade orçamentária dos próximos anos deixa um espaço restrito para qualquer tipo de aperto fiscal. E uma elevação dos juros, a esta altura, jogaria ainda mais lenha na fogueira da solvência da dívida pública. Entre as alternativas possíveis, está a centralização do câmbio. "O fato de o Armínio (Fraga) ter dado esse recado ao mercado mostra que esse é um assunto que está circulando abertamente, inclusive em artigos publicados em jornal", lembra o economista chefe do JP Morgan, Luís Fernando Lopes.Seja o governo obrigado a fazê-lo ou não, o fato é que qualquer modelo de controle cambial desperta pavor no mercado financeiro. "É um suicídio para o setor público", comenta o economista chefe da BBA Corretora, Alexandre Schwartsman. É um processo pelo qual o Brasil já passou. No modelo de centralização adotado no início dos anos 80, através da resolução 462 do BC, as empresas pagavam suas dívidas em moeda estrangeira junto ao governo, que assumia todo o risco de câmbio. "Se acontecesse isso agora, no final das contas você teria uma enorme reestatização da dívida externa. Não vale a pena correr esse risco", diz Schwartsman.

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