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Analistas temem guinada na política econômica com Barbosa

Em teleconferência com o novo ministro da Fazenda, analistas mostram preocupação com a capacidade de o governo conseguir reequilibrar as contas 

Adriana Fernandes e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2015 | 17h04

BRASÍLIA - A grande preocupação dos analistas do mercado financeiro que participaram de conferência hoje com o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, foi com a capacidade de o governo conseguir reequilibrar as contas e reverter o déficit orçamentário atual num cenário de retração da economia. Enquanto o ministro falava, o dólar bateu a marca de R$ 4, atingindo R$ 4,0013, por volta de 12h50. Os analistas temem que Barbosa faça uma guinada na política econômica que foi traçada no início do ano e buscaram ouvir dele mais detalhes da sua proposta.

Uma das incertezas manifestada nas perguntas feitas ao ministro foi com as receitas necessárias para garantir a meta fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto. Atingir a meta foi o primeiro compromisso assumido pelo novo ministro durante a entrevista coletiva que o seu nome foi anunciado na sexta-feira da semana passada.

Entre as cobranças dos investidores, estava uma base sólida para as promessas que vem fazendo. O ministro foi questionado sobre como irá aprovar medidas no Congresso Nacional em meio à crise política e sobre a meta fiscal do próximo ano, que não foi aprovada nos termos que o governo pediu ao Congresso. O ministro tentou transmitir confiança.

Barbosa foi firme e disse que é possível tanto o cumprimento da meta de 2016 quanto a aprovação de matérias no Legislativo. O ministro chegou a citar 2015 como um ano difícil mas com grandes aprovações. 

Os analistas também concentraram suas perguntas na busca de mais informações sobre o compromisso do ministro com reformas, principalmente a da Previdência. Barbosa reforçou que ela será prioritária, mas não aprofundou detalhes. Outro ponto abordado foi o da regra do reajuste do salário mínimo. O mercado teme que o governo muda a regra prejudicando ainda mais as contas públicas. É que grande parte das despesas do governo está atrelada à correção do mínimo. Barbosa garantiu que não haverá mudanças. 

Sobre o BNDES, se comprometeu com estratégia do ex-ministro Joaquim Levy de acabar com os empréstimos do Tesouro Nacional. "Ouvi mais elogios do que críticas em relação à fala do ministro, mas acho que o ceticismo do mercado e o estigma de ter sido o contraponto do Levy pesam muito contra nesse estágio inicial. Vai ter que conquistar a confiança passo a passo!", disse ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, um economista de um banco estrangeiro de que ouviu a conferência. Para ele, a única "vantagem" para o ministro é que as expectativas estão muito baixas. "Se conseguirem aprovar uma agenda fiscal mínima, será visto como grande vitória", disse ele.

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