Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Analistas veem chance de recuperação da Bolsa em 2022, mas eleição inspira cautela

Outro ponto de atenção é a variante Ômicron do coronavírus; apesar disso, mercado está 'barato' em relação ao exterior e há quem veja espaço para mercado avançar até 25% no ano que vem

Maria Regina Silva, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2021 | 19h22
Atualizado 31 de dezembro de 2021 | 00h12

A volatilidade dos mercados financeiros em períodos eleitorais tende a se intensificar em 2022, ano de eleições presidenciais. Contudo, para especialistas, há espaço para o Ibovespa avançar até 25% no ano que vem, considerando o nível atual, pouco abaixo dos 105 mil pontos.

A perspectiva otimista está ligada ao fato de o índice estar defasado em relação a outros indicadores de ações de países desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos, e até mesmo de emergentes. A expectativa de que a China, principal parceiro comercial do País, dê continuidade a políticas de estímulo favorece as ações de exportadoras na Bolsa e também pode ajudar a dar fôlego ao Ibovespa. O contraponto é a incerteza com o cenário das contas públicas no Brasil, além das eleições e da variante Ômicron do coronavírus.

O banco Goldman Sachs vê o Ibovespa chegando a 120 mil pontos já nos primeiros meses do ano, com uma defasagem de 0,9% das ações brasileiras em relação à perspectiva global. Para o Bank of America (BofA), o Ibovespa deve atingir 125 mil pontos no fim de 2022.

A XP mantém sua projeção de Ibovespa a 123 mil pontos no ano que vem. Cita que a Bolsa brasileira continua barata, em diversas métricas. "Isso por si só não garante retornos positivos, mas para o investidor com paciência e visão de longo prazo, esses momentos de turbulência tendem a ser os melhores para investir", diz o relatório assinado por Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig.

A XP afirma que também mantém três áreas principais de investimentos no mercado de ações brasileiro: commodities, por serem uma boa proteção em relação à inflação e ao dólar alto; setores com crescimento histórico e que dependem menos do cenário macroeconômico; e oportunidades com ações que caíram demais recentemente. Já no cenário pessimista, a XP vê o índice Ibovespa em 93 mil pontos e, no otimista, em 145 mil pontos.

"Dadas as incertezas, não vejo muito espaço para subir tanto, nem para cair bastante. Se fechar o ano entre 115 mil e 120 mil pontos, não acharei estranho", avalia José Simão, sócio da Legend Investimentos. Ele completa que se a disputa eleitoral for semelhante à de 2018/2019, quando Bolsonaro se elegeu prometendo avanço na pauta de reformas, os ganhos do Ibovespa podem ser maiores. "É preciso lembrar que a China deve continuar com política expansionista (que estimula a economia)."

Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, vê 2022 como um ano "bastante" volátil, mas de grandes oportunidades, ao considerar o "atraso" do Ibovespa em relação a outros pares. "Deve ficar mais na lateral por causas das incertezas, com o índice na região entre 110 mil e 125 mil pontos", estima. Para ele, o quadro nas contas públicas que o atual governo deixará para o próximo não inspira confiança nos agentes.

Já para o time de analistas do BTG, se as coisas melhorarem no Brasil, o Ibovespa pode alcançar 132 mil pontos no fim de 2022, com base nas estimativas do banco para o lucro das empresas no próximo ano. O cenário otimista leva em consideração, por exemplo, o Banco Central trazendo a inflação à meta (3,5%), com taxas de juros reais de longo prazo de volta a 4%, além de um crescimento real de longo prazo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2%.

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