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Analistas vêem nova contabilidade do setor público com receio

Economistas querem saber qual é o objetivo das medidas, anunciadas pelo ministro da Fazenda na sexta

Célia Froufe, da Agência Estado,

25 de agosto de 2008 | 15h51

Economistas receberam com receio a informação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo mudará a contabilidade, das contas públicas, conforme anunciou com exclusividade à Agência Estado, na última sexta-feira. A principal questão, de acordo com os analistas, é averiguar se a medida tem como objetivo a busca do déficit nominal zero em 2010 (segundo prometeu várias vezes Mantega) ou se é simplesmente uma forma de constranger a atual política do Banco Central de aperto monetário. Segundo eles, esta dúvida poderia ser facilmente sanada se o governo anunciasse um novo aumento do superávit primário - na primeira metade de 2008, o ministro divulgou que a nova meta para a economia feita pelo governo para pagar os juros seria de 4,3% do PIB, e não mais de 3,8% como era antes. Veja também:Nova contabilidade valoriza o resultado nominal, diz Mantega Ao final do seminário A volta da inflação: Como planejar 2009, realizado em São Paulo pela InterNews, a AE colheu com exclusividade as opiniões do professor da PUC-RJ Luiz Roberto Cunha; do ex-diretor do Banco Central e sócio da Ciano Investimentos, Ilan Goldfajn; e do professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo. "Se a idéia é fazer algum tipo de constrangimento ao Banco Central, deixando mais explícito o aperto monetário, não é uma boa idéia", avaliou Cunha. A autoridade monetária iniciou o atual ciclo de aperto em abril e, na última reunião do Copom, elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano, surpreendendo a maioria dos analistas, que aguardavam alta de apenas 0,50 ponto porcentual. Cunha disse querer acreditar que este não é o objetivo do Ministério da Fazenda, mas sim que a intenção é buscar a zeragem do déficit - um alvo meramente contábil. "É preciso tomar cuidado para que isso não seja mais uma vez um ruído na política econômica", alertou. Goldfajn afirmou que a sua análise é semelhante à do professor da PUC-RJ. "A gente quer dirimir nossas dúvidas sobre se essa mudança na contabilidade é só para colocar ruído e inibir as ações do BC ou se é uma coisa construtiva", considerou. Para ele, essa dúvida poderia ser sanada com um novo anúncio do governo a respeito de uma meta de superávit primário maior. Essa hipótese já foi cogitada pelo ministro Mantega no início deste mês, quando participava de um seminário, em São Paulo, promovido pela revista "Carta Capital". Na ocasião, ele vinculou essa possibilidade, no entanto, a uma alta maior da inflação e disse que o governo estaria pronto a agir assim que considerasse necessário. Para Belluzzo, se o objetivo do Ministério da Fazenda é o de fazer uma política fiscal mais compatível com uma política monetária menos agressiva, ele é bom. "É preciso colocar as coisas na ordem", considerou. "Se, por outro lado, o governo coloca isso com o objetivo de inibir a política monetária, ele não é bom." Inflação Mais cedo, durante o seminário, Goldfajn apresentou um estudo revelando em quanto estaria o IPCA levando-se em conta diferentes níveis para a Selic e de superávit primário. Se a economia feita pelo governo for de 3,80%, de acordo com o sócio da Ciano, a inflação fechará 2009 em 6,90%, considerando taxa básica de juros em 13%. Se a Selic chegar a 14,50%, a inflação encerraria em 5,90% e, se alcançar 16%, ficaria em 4,90%. No caso de um superávit primário no próximo ano com a mesma meta de 2008 (4,30%), a inflação atingiria 6% com a Selic em 13%; 5% com a taxa em 14,50%; e 4% com a Selic em 16%. Já se o superávit for ampliado para 4,80% do PIB, a inflação acumularia 5% levando-se em conta a taxa básica de juros em 13%; 4,10% com Selic em 14,50% e 3,10% com Selic a 16%. Para Goldfajn, pelo resultado dos estudos, o ideal é manter a inflação próxima ao centro da meta (4,50%), o que significaria um superávit de 4,30% com Selic a 14,50% e IPCA em 5%. "É preciso ter um pouco mais de apoio da área fiscal para termos uma economia um pouco mais balanceada", afirmou. Para ele, ainda que seja uma premissa óbvia entre os economistas, é preciso que a política monetária leve em conta a política fiscal como um dado para basear as decisões do Banco Central. "Para combinar política monetária e fiscal, é preciso um pouco mais de superávit primário", recomendou.

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