Analistas veem redução mais contida nos juros

Na última reunião do Copom, corte já foi menor que o esperado antes das delações da JBS

Fernando Nakagawa, Impresso

17 Junho 2017 | 17h00

BRASÍLIA - A crise política se transformou em uma grande fonte de dúvida para a política monetária. Há poucas semanas, a redução mais acentuada do juro parecia óbvia diante da economia sem força e da inflação menor. Agora, a incerteza prevalece e o Banco Central já avisou que a aparente hesitação do Congresso com as reformas deve moderar o ritmo dos cortes. Há nuvens carregadas no céu, mas ainda prevalece a aposta de que a taxa seguirá em queda pelos próximos meses.

O Banco Central foi a primeira instituição econômica do governo a reagir assertivamente ao agravamento da situação política. Exatamente 14 dias depois da divulgação da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, o Comitê de Política Monetária (Copom) avisou que a tesoura para cortar o juro passará a ser mais cautelosa.

Com o argumento de que aumentaram as incertezas associadas ao processo de reformas e ajuste da economia, a instituição anunciou que “entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado deve se mostrar adequada em sua próxima reunião”. A explicação foi dada em 31 de maio, logo após o corte de 1 ponto porcentual que levou o juro básico da economia, a taxa Selic, cair para 10,25%.

O recado foi entendido imediatamente no mercado financeiro e investidores passaram a apostar na redução mais contida do juro – provavelmente com corte de 0,75 ponto em julho. Antes do furacão Joesley, a previsão era de 1 ponto ou até mais.

“O cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas, dificultando o reequilíbrio fiscal e consequentemente impactando a confiança dos agentes e os preços dos ativos”, resumiram os economistas do Itaú Unibanco, que fazem parte da corrente majoritária que prevê corte de 0,75 ponto no próximo mês. Entre analistas, esse pé no freio do BC não chegou a ser inesperado, mas houve surpresa com a clareza da mensagem e a rapidez da resposta dos diretores da instituição.

Fundamentos. Tanta incerteza, porém, não foi suficiente para mudar os fundamentos da economia. Por isso, analistas apostam que o juro continuará caindo ainda que em ritmo menos intenso. Mantido o atual cenário político, a inflação cadente – de 3,6% no acumulado dos últimos 12 meses – e a fraqueza da atividade deverão manter aberto o espaço para que a Selic continue em queda. Nesse cenário, grandes casas como o Itaú e o Bradesco preveem que a taxa deve terminar o ano em 8%.

O Itaú estima que, a partir de setembro, a taxa Selic deve ser reduzida em 0,50 ponto a cada reunião. Esse é o mesmo cenário do Bradesco, que acredita que a política econômica não mudará nos próximos meses.

Confirmado, o juro em queda poderá ser um combustível importante para a tão esperada retomada do crescimento. “Terá um impacto favorável na atividade economia, que ganhará força para 2018”, cita o Bradesco, que prevê crescimento da economia de 2% no próximo ano. O Itaú é ainda mais otimista e estima expansão de 2,7%.

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