André Dusek|Estadão
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Analistas veem Selic na casa dos 13% até o fim do ano

Para economistas, inflação deve ceder ao longo do primeiro semestre e abrir espaço para BC cortar juros

André Ítalo Rocha, Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2016 | 21h23

Com a decisão do Banco Central de manter os juros em 14,25% ao ano pela quinta vez consecutiva, economistas apostam em um corte na taxa Selic até o fim do ano. Apesar de a decisão não ter sido unânime - com votos de dois dos oito diretores do BC pela elevação em 0,50 ponto porcentual -, a reunião de abril deve trazer um consenso entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o economista-chefe da consultoria Parallaxis, Rafael Leão, a decisão trouxe dissenso (o quinto seguido) porque os dois diretores que votaram pela alta da Selic, Tony Volpon e Sidnei Marques, ainda aguardam dados mais claros da inflação. Essa clareza, aposta, deve surgir nos próximos meses, uma vez que os "vilões" da inflação em janeiro terão seus impactos reduzidos no restante do ano: alimentos, transportes, educação e serviços.

"Quando a inflação corrente ceder e as expectativas forem atrás (caindo também), a estratégia adotada pelo BC vai se mostrar correta", disse o economista. Leão aposta em mais dois cortes da taxa básica de juros no segundo semestre, ambos de 0,50 ponto porcentual. Com isso, a Selic terminaria 2016 em 13,25%.

Para a economista Tatiana Pinheiro, do banco Santander, o segundo semestre de 2016 será uma "janela de oportunidade" para a redução da taxa de juros. "Isto porque teremos, nesse período, uma maior clareza de que a inflação vai estar desacelerando e uma recessão mais latente da economia", explicou.

Para ela, o BC deve cortar os juros em 1,25 ponto porcentual até o fim de 2016, encerrando o ano com uma taxa de 13%. "E esse ciclo de afrouxamento monetário deve começar com uma redução de 0,25 ponto porcentual. O BC vai começar testando", afirmou.

Já o economista sênior para a América Latina do banco Standard Chartered, Italo Lombardi, não vê um corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom, em abril. "O BC só baixará a Selic quando o patamar do IPCA, que está em dois dígitos, baixar perto de dois pontos porcentuais, o que deverá ocorrer provavelmente em meados do ano", comentou.

Para Lombardi, o placar de seis dirigentes favoráveis à manutenção da Selic e dois que continuam defendendo a alta de 0,50 ponto porcentual desde novembro sinaliza que há desconforto com o nível da inflação. "O BC manterá a postura cautelosa nos próximos meses e não deverá mudar a condução da política monetária. A apreciação atual do câmbio é pontual, e não será um fator desinflacionário no curto prazo." 

Sem surpresas. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a decisão do Copom não surpreende. Em nota, os representantes da indústria defenderam que o aumento da taxa de juros não é o instrumento adequado para conter o avanço da inflação em um cenário de forte recessão. Ambas defendem a contenção dos gastos públicos com foco no superávit primário e um ajuste fiscal de longo prazo.

 

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