Analistas vêm melhoria na construção a partir de 2013

As empresas do setor de construção devem apresentar resultados melhores a partir de 2013, após solucionarem problemas de atrasos de obras e desvios nos orçamentos, além de incrementarem a geração de caixa e a qualidade de seus recebíveis, de acordo com avaliação do analista David Lawant, da corretora Itaú BBA. "O momento é de ajustes", disse nestasexta-feira, durante conferência realizada pela Sociedade Latinoamericana de Mercado Imobiliário (Lares, na sigla em inglês).

CIRCE BONATELLI, Agencia Estado

21 de setembro de 2012 | 12h30

Na sua opinião, e expectativa de recuperação se baseia na conclusão das obras daqueles empreendimentos que foram lançados por volta do ano de 2008 e já deveriam ter sido entregues, mas estão atrasados e com as margens comprometidas. "A safra de lançamentos de 2011 e 2012 vai trazer resultados melhores daqui para a frente", avaliou. O analista também acrescentou que as expectativas são positivas, porque as empresas têm trabalhado com orçamentos mais conservadores.

O professor João da Rocha Lima, coordenador do Núcleo de Mercado Imobiliário da USP, observou que o menor volume de lançamentos neste ano já é um sinal de que as companhias têm dado maior foco na entrega de projetos e reorganização interna. "A probabilidade é de que tenham aprendido com tudo que ocorreu de ruim e que corrijam esses problemas", afirmou. Lima ponderou, no entanto, que a demanda por imóveis no País não está pujante. "Há um crescimento orgânico muito bem estabelecido. Mas não há previsão de que encontraremos um patamar acima do que temos hoje. Acho que vai ficar do tamanho que está."

O diretor de Relações com Investidores da incorporadora Eztec, Emílio Fugazza, observou que, entre 2007 e 2011, o aumento dos custos operacionais para as empresas de construção foi de 419%, enquanto a receita avançou 335%, provocando queda nas margens. "Os custos de construção não arrefeceram. Isso teve de ser compensado com preço maior dos imóveis", explicou.

Um dos exemplos citados pelo executivo foi o avanço nos custos dos terrenos, que não englobam apenas o valor da terra, mas também as outorgas onerosas (cotas para aumentar o potencial de construção) e as contrapartidas exigidas pelo setor público. "Em São Paulo, os custos com o terreno variaram muito nos últimos anos, com crescimento das exigências de contrapartidas, que se estendem de adaptações ambientais até obras viárias", exemplificou.

Tudo o que sabemos sobre:
construçãocenário

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.