Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

5G: Início obrigatório nas capitais pode ser postergado e começar até fim de setembro

Empresas relataram escassez de equipamentos necessários na implantação do 5G

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2022 | 14h36

BRASÍLIA - O Grupo de Acompanhamento das Obrigações da Faixa de 3,5 GHz, o Gaispi, aprovou nesta quarta-feira, 11, um prazo adicional de 60 dias, para o fim de setembro, para as operadoras começarem a rodar a tecnologia 5G nas capitais. A decisão ainda precisa ser avaliada pelo conselho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O "fôlego" dado às teles leva o prazo para colocar em funcionamento o 5G para as vésperas das eleições.

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao do 4G, com maior consumo de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. Pela regra original do leilão, o 5G deveria estar disponível nas capitais até 31 de julho. Agora, no entanto, as operadoras não serão penalizadas caso a implementação se dê até 29 de agosto - e até 29 de setembro, vésperas das eleições, a tecnologia precisa estar operante. A possibilidade de extensão do prazo foi prevista no edital.

Ao Estadão/Broadcast, o conselheiro da Anatel e presidente do Gaispi, Moises Moreira, afirmou que o 5G ainda poderá começar a funcionar nesses centros urbanos até 31 de julho, como previsto originalmente. 

“Essa prorrogação se dá por conta da escassez de equipamentos. É uma questão de cautela”, disse o conselheiro. Avaliação similar é feita por Leandro Guerra, presidente da Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela implementação dos compromissos de desocupação das faixas para o 5G.

Ao Estadão/Broadcast, ele afirmou que a EAF vai buscar acelerar os processos, e que acredita ser possível que várias capitais ainda sejam atendidas com 5G dentro do prazo inicial. Não é possível precisar ainda, no entanto, se a maioria ou minoria dessas cidades terá a tecnologia na data original.

O problema central está no fornecimento de aparelhos que serão usados para impedir a interferência no sinal do 5G. Segundo Guerra, a questão mais complexa está relacionada ao funcionamento das estações profissionais, que operam em duas classes, superior e inferior a 3,8 GHz. Em consulta feita ao mercado, a EAF recebeu informações de que uma parcela dos aparelhos para proteger a interferência dessas estações não poderia ser entregue até 30 de junho.

Para as estações que estão acima de 3,8 GHz, serão necessários aproximadamente mil filtros. "O mercado respondeu que conseguiria atender cerca de 40% da nossa necessidade até 30 de junho, e a outra quantidade até 15 de julho", disse. Pela previsão original do leilão do 5G, a limpeza deveria ser realizada até 30 de junho. Para os equipamentos que operam em faixa abaixo de 3,8 GHz - mais próxima da que será usada pelo 5G - os cerca de 360 aparelhos exigidos (LNB - Low Noise Block) seriam entregues em três etapas: 50 unidades até 30 de junho, e o restante em 15 e 31 de julho. "Essa seria a maior dificuldade para cumprir o prazo, as estações estão mais próximas do 5G, e portanto precisam mais ainda da proteção", explicou Guerra, que é ex-diretor de Assuntos Institucionais da TIM.

"É importante ressaltar que tivemos um processo muito ágil da EAF, à medida que tivemos definições técnicas [dos equipamentos] tivemos agilidade para fazer essas consultas ao mercado", disse o presidente da entidade.

De acordo com ele, os contratos para compra dos equipamentos ainda não estão fechados, mas há perspectiva de definição para a próxima semana. "Estamos no meio do processo de compras", disse Guerra, para quem ainda é possível ter "ganho de alguns dias" quando os contratos forem assinados. Outra sinalização positiva dada pelo presidente da EAF é que "soluções técnicas" ainda serão discutidas para, eventualmente, reduzir a quantidade atual de filtros exigidos. "Existem soluções de contorno e engenharia que vão ser discutidas dentro do grupo técnico do Gaispi, que podem acelerar também e exigir menos quantidade de filtros. Essa é uma curva que vai ser debatida e alinhada, e a partir disso esse cronograma pode ser melhorado", disse.

Guerra afirmou ainda que a EAF recebeu um feedback positivo do mercado sobre a entrega de equipamentos necessários para migrar o sinal da TV aberta - outra etapa que precisa ser cumprida para a limpeza das faixas. "Fizemos a consulta ao mercado, e tivemos um resultado positivo considerando a nossa meta de 30 de junho", completou.

Em nota, a Anatel também reforçou que o prazo adicional foi adotado pela "impossibilidade de entrega de equipamentos pela indústria", especialmente para a mitigação de interferências nas estações satelitais, dentro do prazo original. Segundo o órgão, a Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz (EAF) explicou que o lockdown na China, a escassez de semicondutores, as limitações do transporte aéreo e a demora no desembaraço aduaneiro trouxeram impactos ao projeto.

"O Grupo aprovou, ainda, que a proposta deverá prever a possibilidade de antecipação da liberação do uso de faixa em determinadas áreas de prestação, conforme avaliação a ser realizada pela EAF e aprovada pelo Gaispi, mediante comunicação ao Conselho Diretor", afirmou a Anatel.

“O edital do Leilão do 5G já previa que os prazos estabelecidos no cronograma poderiam ser alterados em 60 dias, desde que constatadas dificuldades técnicas para a realização de atividades necessárias para a migração da recepção do sinal de televisão aberta e gratuita por meio de antenas parabólicas na Banda C para a Banda Ku ou para a desocupação da faixa de 3.625 MHz a 3.700 MHz por sistemas do Serviço Fixo por Satélite (FSS)”, completou a agência.

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