Anbid, BC e Tesouro discutem IR diferenciado em fundos

Representantes da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Banco Central e do Tesouro estão realizando reuniões para discutir projeto de cobrança diferenciada de Imposto de Renda para aplicações de longo prazo em fundos de investimento. O novo presidente da Anbid, Alfredo Setubal, que tomou posse hoje, disse que a associação levantou dados sobre o assunto e está em discussão com várias áreas do governo. A idéia é reduzir o IR dos investimentos de longo prazo para estimular as pessoas a deixarem o dinheiro por mais tempo nos fundos. "Isso seria bom para o investidor e bom para o governo, que conseguiria melhores condições para rolar a dívida pública", explicou o presidente da CVM, Luiz Leonardo Cantidiano. Segundo ele, várias idéias sobre como realizar a tributação diferenciada estão sendo debatidas. No entanto, ainda não houve reunião com a Receita Federal, que normalmente cria barreiras a projetos que possam resultar em redução da arrecadação.Engenharia financeiraO presidente da BB DTVM e novo vice-presidente da Anbid, Nelson Rocha Augusto, acredita que a cobrança diferenciada de IR não resultam, necessariamente, em queda de arrecadação. Para ele, o governo pode "punir" quem sai antes do fundo e "premiar" os que aplicam por longo prazo. "O governo não precisa perder arrecadação. É só criar uma engenharia financeira para evitar isso", disse. O presidente da CVM também defende que a medida pode ser positiva para todos. "Se os prazos dos fundos forem alongados, o governo poderá aumentar o prazo da dívida pública e ganhar com a redução de custos", afirmou Cantidiano, explicando que isso pode compensar uma eventual perda de arrecadação com o IR.

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