Anbid: fundos podem ficar mais voláteis

O vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Marcelo Giufrida, disse há pouco que o segundo turno das eleições presidenciais pode representar, para os fundos de ações, um ambiente propício para "grandes lucros ou grandes perdas". Segundo ele, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende agora a acentuar o discurso de oposição e José Serra (PSDB), por sua vez, de reforçar sua estratégia de uma transição mais suave, mantendo as diretrizes principais do atual governo.Para Giufrida, esse cenário irá polarizar as apostas dos gestores e, em razão das fortes oscilações da Bovespa, os fundos podem apresentar resultados bastante distintos. Ele observou também que os investidores estarão acompanhando de perto os mercados internacionais, o que deve influenciar de forma mais direta o comportamento da Bolsa local. "Houve um descolamento na semana passada, mas a tendência de correção."Na opinião de Giufrida, o nível de migração de recursos caiu sensivelmente nas últimas semanas. "As pessoas estão se conscientizando de que o gasto com CPMF muitas vezes acaba corroendo o ganho", afirmou.Cenário político não atrapalha nova regulamentaçãoPara Giufrida, a definição do cenário político nacional somente no segundo turno não deve representar grandes mudanças nos planos de uma nova regulamentação para a indústria de fundos. "A CVM tem autonomia e está conduzindo muito bem esse processo", afirmou. "O segundo turno pode eventualmente apenas atrasar um pouco as decisões."A autarquia já recebeu as propostas da Anbid sobre o tema e agora analisa internamente o assunto. A Anbid sinalizou, por exemplo, com a possibilidade de ampliar a auto-regulação da indústria, inserindo outras normas além das que já existem para prospectos e material publicitário dos fundos.Gestores não esperam movimentaçõesO administrador de renda variável do BNP Paribas, Jacopo Valentino, acredita que não deve haver fortes movimentações no patrimônio dos fundos de ações nos próximos dias, até o segundo turno das eleições. "Quem ficou na bolsa está preparado para a volatilidade do período." Na opinião do especialista, ainda não há como traçar um cenário.Para outro gestor de renda variável de um grande banco nacional, os movimentos de saques ou aplicações também não devem ser consistentes. Esse executivo esperava que alguns saques pudessem ter ocorrido nas vésperas do primeiro turno. Mas, ao contrário, disse, foram registradas pequenas aplicações no segmento de varejo.Para ele, os investidores poderiam temer as turbulências do período. A explicação dada para o desempenho surpreendente é o interesse pela diversificação dos investimentos mas, sem a passar pelas aplicações cambiais.

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