Anbid: saques em fundos caem, mas continuam

Os saques em fundos de investimento continuaram, mas em menor escala, na primeira quinzena de julho. De acordo com relatório diário da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), até o dia 5 desse mês, as retiradas diárias ficavam entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões, exceção feita ao dia 4, quando a retirada foi de R$ 142,6 milhões. A partir do dia 8, a saída de capitais ficou entre R$ 100 milhões e R$ 700 milhões.No mês, até o dia 15 os saques foram de R$ 7,835 bilhões. No ano, a fuga de capitais já é de R$ 35,846 bilhões. Os fundos que tiveram as maiores retiradas foram os DI (R$ 3,106 bilhões em julho e R$ 15,976 bilhões em 2002) e os de renda fixa (R$ 2,458 bilhões em julho e R$ 11,577 bilhões em 2002).Foram esses também os fundos que registraram os melhores ganhos na primeira quinzena do mês. Os de renda fixa, que pagam juros prefixados, tiveram um retorno de 0,64% no mês e de 7,36% no ano. Os DI, que pagam taxas de juros pós-fixadas, pagaram 0,53% em julho e 7,83% em 2002. Os resultados a partir do dia 17 devem alterar-se, já que, com a redução da Selic - taxa básica de juros da economia brasileira - de 18,5% ao ano para 18% ao ano, os ganhos dos fundos de renda fixa devem superar os dos DI em uma proporção maior (ver link abaixo).Os fundos que investem em ações continuam sendo aqueles que trazem os piores resultados. Em julho, os que tiveram as maiores perdas foram os fundos de privatização da Petrobrás. Aqueles cuja captação foi feita com o FGTS do investidor caíram 10,02% até o dia 15 e 4,56% em 2002. Os que captaram com recursos próprios do investidor tiveram queda de 9,99% no mês e de 5,04% no ano.Os fundos Ibovespa, que buscam replicar a variação do Ibovespa - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) -, caíram 4,95% na primeira quinzena de julho. No ano, a queda é de 22,78%.Os fundos setoriais, que investem em ações de um determinado segmento, também estão em queda. Os de Telecomunicações, de 3,57% no mês e de 26,19% no ano, e os de energia, de 5,22% na primeira quinzena de julho e de 13,82% em 2002.Os fundos de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, que até o mês passado eram os únicos fundos de ações que traziam retorno positivo ao investidor, continuam a cair em julho. Até o dia 15, a queda era de 2,05% (FGTS), de 2,06% (recursos próprios), e de 2,03% (migração). Entretanto, no ano ainda há ganho de 40,80%, de 44,23%; e de 34,73%; respectivamente.Cupom altera resultado de cambiaisOs fundos cambiais, que têm títulos que acompanham a variação da moeda norte-americana, registraram queda de 0,64% na primeira quinzena de julho, apesar de o dólar comercial ter registrado alta de 1,13% no mesmo período. Isso acontece porque a rentabilidade média dos fundos é influenciada por vários fatores, e não somente pela variação do câmbio.Oscilações nas expectativas de juros em dólar - o chamado cupom cambial - provocam oscilações no valor dos títulos que compõem as carteiras, o que no período acabou prejudicando a rentabilidade destes fundos. Além disso, é importante lembrar que os fundos cambiais pagam Imposto de Renda de 20% sobre o rendimento. Por isso, mesmo quando todos os fatores estão favoráveis ao investimento, os fundos podem render menos do que a variação do dólar. No ano, os fundos cambiais apresentam alta de 18,10%. O dólar comercial, nesse mesmo período, subiu 23,14%. Os fundos cambiais, portanto, não são uma proteção completa contra a alta da moeda norte-americana.Veja, nos links abaixo, matérias sobre a influência que a queda da Selic trará aos fundos que pagam taxas de juros e sobre a variação dos fundos cambiais, além de cartilha com dicas de investimento e análise de carteira de acordo com o perfil do investidor.

Agencia Estado,

19 de julho de 2002 | 21h36

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