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Anbid: setor de fundos cresce 34,95% em 2000

O patrimônio líquido alocado no segmento de fundos de investimento aumentou 34,95% em 2000, na comparação com o ano anterior. Dados preliminares da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) revelam que o setor de fundos terminou o ano com patrimônio líquido de R$ 289,415 bilhões. Em 1999, o volume era de R$ 214, 451 bilhões.A captação líquida do setor em 2000 também foi superior à de 1999. Os investidores direcionaram aos fundos R$ 29,312 bilhões no ano passado, contra R$ 26,242 bilhões em 1999 - crescimento de 11,70%. Os números finais também revelaram que o segmento de renda fixa registrou as maiores captações, enquanto o setor de renda variável registrou saída de recursos. De acordo com Norico Yokota, diretora de renda variável do SSB Citi, a instabilidade do cenário internacional - desaquecimento da economia dos EUA, alta do preço do petróleo, quedas nas bolsas de Nova York e a crise na Argentina -, no ano passado, afastou o investidor do mercado de ações. "A aversão do investidor ao risco ficou ainda maior, levando-se em conta que a taxa de juros no Brasil não caiu da forma como se esperava", explica. Mais recursos para os fundos prefixadosOs fundos prefixados atraíram a maior parte dos recursos - de R$ 8, 207 bilhões. Já os fundos DI (pós-fixados) ficaram com R$ 2,515 bilhões e os cambiais - que acompanham a variação do dólar -, R$ 684,63 milhões. Esse resultado ficou muito diferente ao registrado em 1999, quando os fundos prefixados apresentaram uma saída de R$ 7,598 bilhões e os DI captaram R$ 21,073 bilhões. Os cambiais apresentaram um resultado mais semelhante - entrada de R$ 517,37 milhões.Renato Ramos, diretor de renda fixa do HSBC Asset Management, explica que a economia brasileira estava muito instável em 1999, principalmente com a desvalorização do Real promovida no início do ano. "O investidor priorizava a segurança e os fundos DI são os mais indicados para isso. Nesse ano, com a estabilidade maior na economia, o investidor tenta conseguir uma rentabilidade maior, mesmo com um pouco mais de risco. O primeiro passo nesse sentido é um fundo de renda fixa prefixado", declara. Na opinião do executivo, o investidor brasileiro ainda tem um perfil muito conservador e isso deve ser alterado de forma gradual e muito lenta. "Antes o investidor não precisava correr riscos para conseguir boa rentabilidade e isso deve mudar com um cenário melhor para a economia do Brasil e a evolução de uma tendência melhor para o cenário externo", afirma.2001: expectativa de captações maiores em ações No setor de renda variável, os fundos de ações registraram saída de R$ 66,41 milhões no ano passado. Já em 1999, houve entrada de recursos nesse segmento, de R$ 12,47 milhões. De acordo com Gilberto Poso, diretor de relações com o investidor da Lloyds Asset Management, os investidores devem começar a migrar para os fundos de ações nesse ano.Isso porque os fundos de renda fixa prefixados devem apresentar um ganho líquido em torno de 6% em 2001 - rentabilidade nominal de 11%, descontando-se uma inflação de 5%, projetada pelo diretor. "Trata-se de um ganho muito pequeno e pode equiparar-se à rentabilidade muito baixa que vem sendo apresentada pela poupança", declara.Poso acredita que as boas perspectivas para os lucros das empresas é outro fator que deve atrair o investidor. "Juros menores favorecem o crescimento das companhias, melhorando seus lucros. Diante dessa tendência, o investidor pode começar a apostar mais na Bolsa", explica.

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