Anbima muda classificação de fundos com objetivo de facilitar entendimento

Fundos passarão a contar agora com informações de categoria e subcategoria que apontam o tipo de gestão, riscos e estratégia do investimento

Fernanda Guimarães, Agência Estado

13 de abril de 2015 | 14h45

Atualizada às 16h08

SÃO PAULO - Os fundos de investimento brasileiros passarão a ter uma nova classificação a partir de julho. Após uma discussão que durou cerca de três anos, a Associação Nacional das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) acaba de anunciar sua nova classificação, que tem como principal objetivo facilitar o processo de decisão de investimento e permitir uma adequada comparação entre os produtos.

Assim, o novo modelo partirá de três níveis, que guiarão a escolha dos produtos, tanto do lado dos distribuidores, consultores, quanto para os próprios investidores. O primeiro nível irá refletir a classe de ativos; o segundo o tipo de gestão e riscos e o terceiro relaciona-se às principais estratégias.

Entre as classe de ativos, que constam no nível 1, estão Renda Fixa, Ações, Multimercados e Cambial.  Escolhida a classe, parte-se, assim, para o próximo nível. Por exemplo, se a escolha for por um fundo de renda fixa, no nível 2, que contêm os tipos de estratégia, o investidores poderão optar entre as categorias simples, passivo, ativo baixa duração/média duração/alta duração/livre duração e investimentos no exterior.

Vencido esse nível faltará a escolha da subcategoria, que na classe de renda fixa são: renda fixa simples, índices, soberano/grau de investimento/crédito livre e, por fim, investimento no exterior/dívida externa.

Os fundos cambiais são os únicos que não possuem mais de uma opção de categoria e subcategoria. 

Um dos objetivos da Anbima com a nossa classificação é que a escolha do produto seja feita de acordo com a necessidade futura de capital, se será de curto, médio ou longo prazo, o que direcionará para uma escolha adequada, com custos compatíveis.


Nova classificação dos fundos de renda fixa

Classe de ativos   Categoria   Subcategoria 
Renda Fixa Simples Renda Fixa Simples
  Passivo Índices
  Ativo Baixa Duração Soberano
  Ativo Média Duração Grau de Investimento
  Ativo Alta Duração Crédito Livre
  Ativo Livre Duração  
    Investimento Exterior
  Investimento Exterior Dívida Externa

Nova classificação dos fundos de ações

Classe de Ativos   Categoria   Subcategoria 
Ações Indexado Índices
  Ativo Valor/crescimento
    Dividendos
  Específicos Sustentabilidade/governança
    small caps
  Investimento Exterior índice ativo
    setoriais
    livre
    FMP-FGTS
    Fechado Ações
    Investimento no Exterior

Nova classificação dos fundos multimercados

Classe de Ativos   Categoria   Subcategoria 
Multimercado Alocação Balanceados
    Dinâmico
  Estratégia  
    Macro
  Investimento no Exterior Trading
    Long and short Neutro
    Long and Short Direcional
    Juros e Moedas
    Livre
    Capital Protegido
    Investimento no exterior

Nova classificação dos fundos cambiais

Classe de Ativos   Categoria   Subcategoria 
Cambial Cambial Cambial

Prazos. As gestoras terão até o fim do ano para estar plenamente adaptadas à nova classificação de fundos de investimento. A reclassificação, que já começou a ser feita internamente pelas casas, entrará em vigor no dia 1º de julho, juntamente com a modernização da instrução 409, que foi substituída, após dez anos, pela instrução 555, pela nova classificação de investidores - com a criação do perfil de investidor profissional, por exemplo, e também das regras de suitability, que nada mais é a compatibilidade dos produtos ao perfil do investidor.

"Depois da mudança da 409, fizemos um trabalho semelhante à classificação dos fundos, que existe desde 2001", afirma o vice-presidente da Anbima, Carlos Ambrósio. Segundo ele, a classificação foi ao longo dos últimos anos sofrendo algumas mudanças, diante do surgimento de novos produtos, mas que agora surgiu uma necessidade de um ajuste maior. O processo levou cerca de três anos em discussões na associação.

Carlos Massaru, também vice-presidente da entidade, destaca a importância dessa agenda normativa entrar em vigor concomitantemente. Isso evita, destaca Massaru, custos desnecessários e perda de eficiência. "É muito importante ter um calendário harmonizado", frisa.

Ambrósio destaca que será essa agenda conjunta que trará os resultados esperados para a indústria de fundos, como um maior entendimento por parte dos investidores, adequação dos produtos ao perfil do cliente, indução para que os investimentos sejam realizados também sob o prisma de necessidade de capital futuro por parte do investidor e para melhor comparação entre os produtos oferecidos no mercado. "Quanto mais clareza e informação for dada, o acontecimento de um determinado cenário e o efeito no produto deixa de ser uma surpresa para o investidor", destaca Ambrósio.

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