Anbima prevê aumento de ofertas de ações no 2º semestre

As emissões em renda variável - via ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) ou subsequentes (follow on) - devem retomar o "caminho do crescimento" no segundo semestre. A previsão é do diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Marcio Guedes. "A conjuntura internacional adversa em alguma hora vai ter que acabar e no Brasil não há questões conjunturais ruins que afastem o investidor", declarou. O diretor não quis, no entanto, mencionar uma projeção de quantas operações podem ser realizadas até o final do ano.

SUZANA INHESTA, Agencia Estado

26 de julho de 2012 | 13h09

De acordo com dados da Anbima, no primeiro semestre o volume captado no mercado de ações totalizou R$ 8,630 bilhões, queda de 45% ante os R$ 15,681 bilhões do mesmo período de 2011. "Mais ofertas só não foram realizadas por discordâncias de preços. O emissor quer um valor superior do que o investidor quer pagar. Mas já há discussões para equilibrar as remunerações. Também a urgência da necessidade desse capital pode fazer com que a empresa acelere sua emissão", explicou.

Hoje, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há seis ofertas em análise, entre iniciais e subsequentes, pela autarquia. "Acreditamos que existam mais do que essas seis empresas que querem acessar o mercado de capitais de renda variável. Esse mercado opera em janelas de oportunidade. Então, o que as instituições que participam dessas operações têm feito é dizer para essas empresas se prepararem, porque assim que a janela abrir o processo tem que ser feito o mais rápido possível", declarou Guedes.

Segundo ele, companhias dos setores de educação, varejo, saúde, ou seja, mais voltados ao mercado nacional, são as que têm mais potencial de acessar o mercado de renda variável. Ele, no entanto, não arrisca se serão mais IPOs ou operações de follow on. "O que a gente sente é que o investidor está mais reticente em ''comprar'' projetos, até pelos processos burocráticos, como obtenção de licenças, por exemplo. Portanto, operações do setor de óleo e gás serão mais difíceis de ter demanda. Os investidores estão querendo mais empresas que mostrem que têm potencial de crescimento", completou a diretora da Anbima, Carolina Lacerda.

CRIs

Para Guedes, a recente desaceleração do crescimento do setor imobiliário deverá influenciar a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), pois o lastro desses títulos geralmente são recebíveis e estoques de empresas do setor. "Hoje, o setor está menos aquecido, você tem uma oferta grande, mas uma demanda mais fraca. Então as empresas estão buscando menos recursos com CRIs", disse o executivo.

No primeiro semestre, conforme a Anbima, o volume desses certificados totalizou R$ 3,345 bilhões, queda de 49,2% ante os R$ 6,578 bilhões de janeiro a junho do ano passado. "A base de comparação é forte. Então, ante 2011 vamos ver quedas. Mas o ritmo do primeiro semestre deve ser mantido no restante do ano, ou seja, o ritmo dessas operações deverá ser estável", disse, ressaltando que as empresas desse setor, embora estejam crescendo menos, estão "saudáveis".

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