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Andersen acusa governo dos EUA de abuso do poder

Um memorando interno da Arthur Andersen LLP para seus funcionários nos EUA nega que a empresa tenha ordenado a destruição de documentos de seu trabalho com a Enron Corp. e alerta que um indiciamento, já esperado, por parte do Departamento de Justiça dos EUA, pode destruir a firma. O memorando, distribuído por Terry E. Hatchett, sócio-gerente da Andersen, incentiva os funcionários da empresa a tranqüilizarem seus clientes, reafirmando que um indiciamento não é uma condenação, e que a Andersen vai poder continuar assinando opiniões de auditoria. Visto pela agência Dow Jones, o memorando também detalha vários pontos relacionados à destruição dos documentos da Enron com o objetivo de os funcionários compartilharem esses argumentos com seus clientes. A Andersen disse que um indiciamento do Departamento de Justiça pode acontecer já a partir de amanhã. O memorando interno cobre muitos dos argumentos que foram utilizados pelos advogados da Andersen em uma carta enviada ao Departamento de Justiça. Para Hatchett, o indiciamento representa "um abuso grosseiro do poder do governo". "Não há motivos para acreditar que aqueles envolvidos no descarte dos documentos relacionados à Enron participaram de qualquer ato de má conduta criminal", acrescentou. O porta-voz da Andersen, Patrick Dorton, não quis comentar o assunto. O advogado da Andersen, Richard J. Favretto, criticou a pressa do Departamento de Justiça no caso, e disse que a Andersen notificou representantes da Justiça e da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) assim que soube da destruição dos documentos. Para Favretto, um ex-membro do Departamento de Justiça, a Andersen não foi permitida a "contar sua história". Ainda de acordo com a carta dos advogados da Andersen, uma investigação conduzida por duas firmas de advocacia concluiu que a destruição dos documentos ficou restrita a relativamente poucos sócios e funcionários do escritório de Houston. "Ainda que alguns sócios e funcionários da Arthur Andersen LLP tenham exercido mau julgamento, não há absolutamente nenhuma sustentação para a alegação de que a firma agiu de forma ´corrupta´", acrescentou o memorando, ressaltando que um indiciamento pode destruir a firma e o meio de sobrevivência de milhares de funcionários e aposentados inocentes. As informações são da agência Dow Jones.

Agencia Estado,

14 de março de 2002 | 17h15

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