Aneel alerta para riscos no problema de fornecimento de gás

"Se as térmicas tiverem que ser ligadas, podemos ter um problema de alocação de gás", disse diretor de Aneel

Gerusa Marques e Leonardo Goy, da Agência Estado ,

21 de novembro de 2007 | 19h56

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, admitiu nesta quarta-feira que, se as usinas termelétricas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste tiverem de ser ligadas novamente, em janeiro, poderão se repetir os problemas no fornecimento de gás a consumidores como indústrias e a motoristas que utilizam em seus veículos o GNV (Gás Natural Veicular), como aconteceu no fim do mês passado no Rio de Janeiro e em São Paulo. "Se as térmicas tiverem que ser ligadas, podemos ter um problema de alocação de gás, talvez assemelhado, mas mais organizado que o do mês passado. Mas, ainda assim, será um problema", disse Kelman, após participar de um seminário na Comissão de Minas e Energia, na Câmara dos Deputados. Na terça-feira, a Aneel divulgou um alerta de que as térmicas que constam do termo de compromisso firmado entre a agência e a Petrobrás e que estão localizadas no Sudeste e no Centro-Oeste poderão ser acionadas em 1º janeiro se o nível dos reservatórios das hidrelétricas dessas regiões não passar dos atuais 50% para 61% da capacidade de armazenamento.  O nível de 61% para a capacidade dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste a partir de 1º de janeiro consta da proposta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a atualização da Curva de Aversão a Risco no biênio 2008-2009. Essa curva é um modelo usado pelo ONS para monitorar o setor elétrico do País e definir quando as térmicas precisam ser acionadas para economizar a água dos reservatórios das hidrelétricas. Kelman fez questão de esclarecer, no entanto, que esse porcentual (61%) ainda não é uma regra definitiva, pois será submetida a uma audiência pública na agência. "Nossa expectativa é a de aprovar o porcentual definitivo até o fim do ano. Essa curva de aversão ao risco ainda não está (oficialmente) aprovada", disse ele. O diretor acrescentou que, mesmo sendo confirmada a exigência de 61%, pode ocorrer que não seja necessário ligar as térmicas, uma vez que é possível que as chuvas de dezembro seja suficientes para elevar o nível dos reservatórios até este patamar. Kelman disse ainda que o ONS propôs neste ano a imposição de um porcentual mais elevado de nível dos reservatórios por causa de "alguns acidentes de percurso" que afetaram, ao longo do ano passado, alguns recursos energéticos com os quais o País contava. A principal diferença, segundo o diretor, foi a retirada do planejamento de cerca de 4 mil megawatts (MWs) que, em tese, poderiam ser gerados por usinas termelétricas movidas a gás, mas que, na prática, não podem ser produzidos devido à escassez do combustível.

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