Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Aneel aprova redução de 4,12% na conta de luz no Amapá e pune concessionária por apagão

Para consumidores conectados à alta tensão, haverá alta de 1,65%; para a baixa tensão (consumidores residenciais), haverá queda de 5,89%; novas tarifas entram em vigor de forma retroativa a 30 de novembro

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2020 | 17h37

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou uma redução média de 4,12% nas tarifas da Companhia Eletricidade do Amapá (CEA). Para consumidores conectados à alta tensão (indústria, por exemplo), haverá alta de 1,65%; para a baixa tensão (consumidores residenciais), haverá queda de 5,89%.

As novas tarifas entram em vigor de forma retroativa a 30 de novembro. A CEA atende a 207 mil unidades consumidoras no Estado.

Com a decisão, a distribuidora terá a segunda tarifa mais barata do País, atrás apenas da Energisa Borborema, na Paraíba, segundo o ranking da Aneel.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), fez sustentação oral no processo e pediu à Aneel que tivesse sensibilidade com os consumidores do Amapá, afetados por um apagão de quase quatro dias e 20 dias de racionamento no mês de novembro.

Punição

 A Aneel também aplicou a primeira punição à concessionária Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), dona da subestação cuja falha causou o apagão.

Para tomar a decisão, a Aneel considerou a “situação de emergência enfrentada pelo Estado do Amapá ao longo do mês de novembro”, diz o voto do relator, diretor Sandoval de Araújo Feitosa.

A empresa sofrerá um desconto de R$ 385,1 mil em suas receitas, valor referente aos meses de fevereiro, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro, pela indisponibilidade dos transformadores da subestação Macapá no período. A parcela que seria paga pelos consumidores da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), será aplicada de forma imediata.

A Aneel determinou ainda ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que faça a imediata dedução de pagamentos por indisponibilidade para todas as empresas do setor. O valor a ser descontado costumava ser cobrado apenas no reajuste anual das concessionárias de transmissão, em junho, para ser aplicado no ciclo seguinte – entre julho de 2021 e junho de 2022, por exemplo.

Mas o desconto imediato será aplicado a todas as transmissoras que deixarem suas instalações indisponíveis – e não apenas para a LMTE e, consequentemente, para os consumidores da CEA. Clientes de outras localidades também poderão ter descontos na data do reajuste tarifário anual de suas distribuidoras.

“Assim, de forma a não restar dúvidas no encaminhamento trazido, proponho que, em caso de indisponibilidade, a receita percebida pela transmissora sofra o devido desconto no PB (pagamento base) de forma imediata, de forma a reduzir os encargos de transmissão aos consumidores na exata medida da não prestação do serviço público de transmissão de energia elétrica”, diz o voto.

Embora seja a primeira penalidade contra a LMTE, ela pode não ser a única. As causas do apagão ainda serão investigadas pela Aneel, mas a apuração deve levar de seis meses a um ano. A superintendência de fiscalização da transmissão será a responsável pelo processo.

A concessionária Linhas de Macapá Transmissão de Energia terá direito à ampla defesa - a linha pertence à Gemini Energy, empresa que pertence aos fundos de investimento Starboard e Perfin, com 85,04% de participação, e à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), autarquia do governo federal, com 14,96%.

Depois, o assunto será deliberado pela diretoria da Aneel, que pode multar a empresa em um valor equivalente a até 2% do faturamento anual da empresa. No limite, a Aneel pode recomendar que a concessão seja cassada pelo Ministério de Minas e Energia.

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