Aneel chama decisão de limitar usinas no Xingu de 'política'

Decisão anunciada na semana passada impede construção de outras usinas além de Belo Monte na região

Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

21 de julho de 2008 | 15h25

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman classificou como "essencialmente política" o compromisso assumido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de limitar o aproveitamento hidrelétrico do rio Xingu à usina de Belo Monte.  A decisão, anunciada na semana passada, impede a construção de outras três usinas no rio, já catalogadas pelo estudo de inventário feito pela agência. Para Kelman, do ponto de vista estritamente técnico, todas as usinas poderiam sair do papel. "Tecnicamente, não há razão para não fazer as outras usinas", afirmou o diretor da Aneel, em palestra de abertura de evento sobre transmissão de energia na Coppe/UFRJ.  Kelman, porém, evitou criticar a decisão do CNPE, ponderando que "faz parte do jogo democrático" tentar agradar a todos os interessados. "É o típico caso de dar os anéis para ficar com os dedos", comparou. O governo decidiu limitar a construção de usinas no Xingu, considerada a próxima fronteira hidrelétrica brasileira, para facilitar o licenciamento ambiental de Belo Monte, projeto com potência de 11 mil megawatts, que deve ir a leilão no ano que vem. As usinas no Xingu enfrentam resistência de organismos ambientais e ligados aos índios da região, uma vez que há áreas indígenas em quase toda a extensão do rio. Kelman disse, porém, que os outros três projetos que constam do estudo de inventário não afetam as comunidades indígenas. Em sua palestra, ele reclamou do excesso de áreas demarcadas e de unidades de conservação na margem direita do rio Amazonas.  "É a área onde o planalto vira planície, é onde estão as quedas (nos rios, fundamentais para a construção de hidrelétricas)", afirmou. "No futuro, o Brasil vai ter que pensar bem se quer desperdiçar todo esse potencial energético."

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