Marcelo del Pozo/Reuters
Marcelo del Pozo/Reuters

Aneel discutirá com Abengoa situação de obra de Belo Monte

Agência descarta licitar contratos novamente, mas busca solução para evitar a paralisação de linhão de transmissão e de outros empreendimentos da empresa espanhola no País

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2015 | 13h35

BRASÍLIA - O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que o órgão irá se reunir na quarta-feira, 2, com executivos da Abengoa para começar a discutir o que poderá ser feito com os empreendimentos da companhia espanhola no Brasil. Segundo ele, há uma preocupação em especial com obras tocadas pela empresa, que já comunicou oficialmente a possibilidade de interrupção de canteiros. Se necessário, a Aneel poderá determinar até mesmo uma intervenção administrativa nessas concessões. 

"Teremos uma reunião amanhã com a Abengoa para que eles nos coloquem a par da situação e, após isso, saberemos quais medidas imediatas serão necessárias para preservarmos os interesses do setor elétrico", afirmou Rufino. "Já sabemos que a situação da companhia tem desdobramentos no Brasil", confirmou. 

O Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, informou na segunda-feira, 30, que 1.500 funcionários foram demitidos com a paralisação das obras do linhão entre o Tocantins e a Bahia, que servirá para escoar a energia da Usina de Belo Monte para o Nordeste. A direção da Abengoa em Madri não descartou as demissões no Brasil e diz apenas "que há reestruturação para preservar o negócio" na América Latina. A companhia negou, entretanto, que seus negócios no País serão encerrados.

Para Rufino, os empreendimentos em operação da Abengoa no País não seriam a maior preocupação da Aneel no momento, pois esses negócios teriam certa autonomia. "Empreendimentos que já se encontram em operação já têm geração de caixa e, portanto, têm sustentabilidade e equilíbrio", destacou. 

Já os projetos em construção trazem maior preocupação, como as obras do linhão de Belo Monte. "A nossa preocupação é com a solução do problema. Vamos mapear as alternativas e as competências da Aneel incluem até mesmo uma intervenção administrativa", reforçou Rufino, que descartou a possibilidade de relicitação dos contratos.

O diretor-geral enfatizou que uma solução de mercado, seja pela reestruturação da Abengoa ou pela transferência do controle desses projetos para outras empresas, seria o melhor cenário para a questão. "O agente pode vender parte ou a totalidade da participação nos empreendimentos, isso é o mais natural. A intervenção é uma situação de exceção, mas pode ser tomada de imediato, se necessária", completou.

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