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Aneel e Eletrobrás divergem sobre capacidade de geração de energia

Quem quiser saber a real capacidade de geração de energia elétrica no País encontra números muito diferentes, dependendo da fonte de consulta. Pelos dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão do governo responsável pela fiscalização e concessão de licenças de operação, o Brasil teria atualmente potência instalada para gerar 83,4 mil MW, o que garante ao País uma posição extremamente confortável ante o atual patamar de consumo. Pelos dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o País tem consumido cerca de 55 mil MWh nos momentos de pico (entre 18h e 21h) e em torno de 42 mil MWh nos demais horários. Na avaliação do presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, porém, os números da Aneel "não correspondem à realidade". Ele estima que a capacidade de geração brasileira está em torno de 70 mil MW, conforme declarou em entrevista à Agência Estado. A Eletrobrás é a holding estatal de energia elétrica, "dona" das maiores geradoras do País, como Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletronuclear, além de 50% de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo (os outros 50% pertencem a uma empresa do governo paraguaio), o que garante à estatal a privilegiada posição de maior empresa do setor no Brasil.Diferença é considerávelA diferença em torno de 13 mil MW na capacidade de geração de energia elétrica no Brasil entre os dados da Aneel e da Eletrobrás não é pequena. Os especialistas consideram que se a economia brasileira Brasil crescer a um ritmo anual de 5% - a média nos últimos dois anos do PIB foi inferior a 1,5%, o que deve se repetir este ano ? o Brasil precisaria agregar pelo menos mais 3.000 MW de capacidade instalada. E para a geração de cada megawatt são necessários investimentos equivalentes a US$ 2.000, o que exigiria uma mobilização superior a US$ 6 bilhões a cada ano, só para o setor de geração. Se os números da Aneel são efetivos, o Brasil só precisará voltar a investir em geração dentro de quatro a cinco anos.Cálculos da AneelConsultado pela Agência Estado, a Aneel não se manifestou sobre as afirmações do presidente da Eletrobrás. Mas a instituição mantém em seu site (www.aneel.gov.br) estatísticas enfatizando que o Brasil dispõe de uma capacidade instalada e em operação de 83,4 mil MW. E essa seria apenas a parte "fiscalizada", com a potência total ascendendo a 91,3 mil MW. Até dezembro, a Agência divulgava apenas um tipo de dado referente à capacidade instalada, mas desde então explicita também as usinas "fiscalizadas" e que estão prontas para funcionar efetivamente. Além disso, a agência concedeu mais 10,8 mil MW de geração, cujos empreendimentos estão "em construção?. Se somados os dois valores, a capacidade total de geração no País supera os 100 mil MW, garantindo ao Brasil a liderança mundial na geração de energia através de hidroeletricidade. (Alaor Barbosa e Eugênio Melloni, segue)Divergências são mais amplasAs divergências do presidente da Eletrobrás em relação à Aneel não se limitam a dados estatísticos. O presidente da "holding" estatal de energia elétrica considera que os técnicos da Aneel estão segurando indevidamente o realinhamento das tarifas das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, controladas pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás. Segundo Pinguelli as tarifas atuais aprovadas pela Aneel "não cobrem os custos" da energia gerada.. "Eles deixaram a empresa se descapitalizar e agora não querem recompor os custos. Isso é coisa de vigaristas e ignorantes"" afirmou o presidente da estatal em entrevista à Agência Estado. A Eletronuclear quer elevar a tarifa de sua energia contratada dos atuais R$ 63 o MWh para até R$ 98, conforme afirmou o presidente da empresa, Zieli Dutra Thomé, em entrevista à imprensa na segunda-feira. Com base na revisão anual, o MWh deverá subir para R$ 84, mas Thomé considera que esse patamar não seria suficiente para alcançar o equilíbrio econômico-financeiro da geradora. O presidente da Eletrobrás disse que se a Aneel não autorizar "reajuste justo" para a Eletronuclear, ele prefere "desligar o gerador" e não gerar mais energia elétrica devido aos pesados prejuízos da empresa. Os técnicos da Aneel alegam, porém, que as usinas nucleares "são diferentes" e não podem ter o mesmo tratamento das outras térmicas. Por isso o órgão regulador continua aguardando "algumas definições" do Ministério das Minas e Energia, para só então estabelecer os critérios finais de reajustes de tarifas das usinas de Angra dos Reis.

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