Aneel poderá propor redução maior de tarifas da Cemig

A diretora da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Joísa Campanher afirmou hoje que o órgão poderá propor uma redução maior no índice médio de revisão tarifária da Cemig Distribuição se forem constatadas distorções nos custos operacionais e de manutenção da rede e também nos investimentos necessários para o atendimento à população dentro das informações prestadas pela companhia. "Todas as sugestões serão avaliadas pela agência e se forem consideradas suficientes, poderemos apresentar uma redução maior do que foi proposto", disse.Campanher participou hoje de audiência pública para debater o índice médio preliminar de -9,72% na revisão tarifária periódica da Cemig. O encontro, que estava previsto para terminar hoje às 12 horas só foi encerrado no fim da tarde. Mais de cem pessoas se inscreveram para argumentar contra as tarifas atuais e pedir uma queda maior nos valores.Entre eles, o promotor de Defesa do Consumidor, José Baeta de Melo Cançado, que apresentou um estudo no qual aponta que a concessionária teria margem suficiente para reduzir a tarifa média em 15,67%, sem causar maiores danos ao fluxo de caixa.Segundo o promotor do Ministério Público de Minas Gerais, nos últimos cinco anos, os reajustes e revisões tarifárias da Cemig Distribuição chegaram a 42,30% e foram superiores ao índice de inflação do período, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 32,42%. Da mesma forma, conforme o promotor, à exceção da Coelce, do Ceará, todas as demais distribuidoras de energia obtiveram uma revisão tarifária superior ao proposto para a Cemig.O diretor de Finanças, Participações e Relações com Investidores da companhia, Luiz Fernando Rolla argumentou que quase a metade (43%) dos 6,6 milhões de consumidores da empresa, que consomem até 80 quilowatts/mês pagam tarifa subsidiada, com descontos de até 40% nos valores que são cobertos pelos demais consumidores e isso é determinado por lei. "Não temos como influenciar na decisão que será tomada pela Aneel, mas queremos que sejam assegurados os recursos necessários para a manutenção da qualidade do serviço e os investimentos", apontou.Conforme o executivo, a comparação de tarifas da concessionária mineira com outras empresas do setor fica prejudicada. A empresa, segundo ele, possui uma rede de distribuição de 420 mil quilômetros de extensão e atende 774 municípios. "Temos uma série de regiões do Estado que precisam desses subsídios e estes custos têm que ser repassados de qualquer jeito, por isso os nossos custos operacionais", avalia.Todas as sugestões apresentadas hoje na audiência pública deverão ser analisadas pela área técnica da Aneel que deverá divulgar o índice final de revisão tarifária no próximo dia 7 de abril.

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