Aneel: térmicas podem tirar gás da indústria e dos carros

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, admitiu hoje que, se as termelétricas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste tiverem de ser ligadas novamente, em janeiro, poderão se repetir os problemas no fornecimento de gás a consumidores como indústrias e a motoristas que utilizam em seus veículos o GNV (Gás Natural Veicular) como aconteceu recentemente."Se as térmicas tiverem que ser ligadas, podemos ter um problema de alocação de gás, talvez assemelhado, mas mais organizado que o do mês passado, mas, ainda assim, será um problema", disse Kelman, após participar de um seminário na Comissão de Minas e Energia, na Câmara dos Deputados, sobre o peso dos encargos do setor nas contas de energia.Ontem, a Aneel divulgou um alerta de que as térmicas que constam do termo de compromisso entre a Petrobras e a Aneel e estão no Sudeste e no Centro-Oeste poderão ser acionadas em 1º de janeiro se o nível dos reservatórios das hidrelétricas dessas regiões não passar dos atuais 50% para 61%. A necessidade de se ligar as térmicas se não chover o suficiente se deve ao fato de o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ter proposto à Aneel o patamar de 61%. Kelman fez questão de esclarecer, no entanto, que esse porcentual (61%) ainda não é uma regra definitiva, pois será submetida a uma audiência pública na agência. "Nossa expectativa é a de aprovar o porcentual definitivo até o fim do ano. Essa curva de aversão ao risco ainda não está (oficialmente) aprovada", disse Kelman.O diretor acrescentou que, mesmo sendo aprovada oficialmente a exigência de 61%, pode ocorrer que não seja necessário ligar as térmicas, uma vez que é possível que as chuvas de dezembro seja suficientes para elevar o nível dos reservatórios até este patamar.Kelman disse ainda que o ONS propôs neste ano a imposição de um porcentual mais elevado de nível dos reservatórios por causa de "alguns acidentes de percurso" que afetaram, ao longo do ano passado, alguns recursos energéticos com os quais o País contava. A principal diferença, segundo o diretor, foi a retirada de cerca de 4 mil megawatts(MWs) que, em tese, poderiam ser gerados por usinas termelétricas movidas a gás, e que, na prática, não podem ser produzidos pela escassez do combustível.

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