Anefac aposta em aumento nas taxas de juros para 2015

Juros cobrados para pessoas físicas e empresas aumentaram de setembro para outubro; alta do dólar e inflação têm impacto no cenário pessimista do País

Matheus Martins Fontes, Especial para o Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2014 | 19h50

As taxas de juros cobradas dos consumidores voltaram a subir em outubro, após caírem no mês anterior. Segundo estimativa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros médios nas operações de crédito continuarão a subir com a previsão de continuidade da recessão econômica no País para 2015.


A Anefac divulgou pesquisa nesta segunda-feira mostrando que as taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas subiram 6,08% ao mês (103,05% ao ano) no mês passado, ante 6,06% em setembro. Os juros médios cobrados de pessoas jurídicas tiveram um crescimento menor, passando de 3,43% em setembro para 3,44 em outubro.


O diretor-executivo de estudos e pesquisas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, disse ao Estado que o baixo crescimento econômico do Brasil é o principal motivo para a elevação dos juros. “O País está em um ambiente de inflação alta, com alguns segmentos apresentando alta taxa de desemprego. Tudo isso corrói a renda e a condição de crédito piora”.


Em sua pesquisa, a Anefac analisou seis linhas de crédito nas operações físicas e cinco delas subiram. A linha de juros de comércio subiu 0,43%, passando a 4,65% ao mês em outubro. O cheque especial elevou o patamar em 0,24%, chegando à casa dos 8,50% ao mês, a maior taxa desde janeiro de 2004 (8,51% ao mês). Já a linha relativa ao CDC-financiamento de automóveis avançou de 0,56% e foi a 1,80% ao mês. Quanto ao empréstimo pessoal de bancos, o número subiu 0,87%, passando a 3,47% ao mês; e a linha de empréstimo pessoal para financeiras cresceu 0,28%, resultando na taxa de juros de 7,28% ao mês em outubro. 


Somente a linha de cartão de crédito rotativo não sofreu nenhuma alteração, permanecendo estável em 10,78% em outubro, o maior valor desde março de 2000 (10,89% ao mês).


Já nas operações das empresas, a Anefac pesquisou três linhas de crédito, e duas delas (desconto de duplicadas e conta garantida) reduziram as taxas de juros. Só a linha de crédito relativa ao capital de giro subiu (elevação de 2,66%), passando de 1,88% ao mês para 1,93% em outubro, a maior taxa desde junho de 2012 (2,04% ao mês). Em um ambiente de recessão, “a alternativa dos bancos é de aumentar as taxas de juros para compensar provável subida da inadimplência”, explica Oliveira. 


Com a expectativa de que a Selic continue aumentando – subiu de 11% para 11,25% ao ano no final de outubro -, o avanço da taxa de juros deve prosseguir em 2015. Oliveira indica que as tentativas do novo mandato de Dilma Rousseff (PT) em reaquecer a economia brasileira deverão ter impacto diretamente na inflação. “As medidas que o governo pode tomar para trazer a economia de volta ao eixo vão resultar em medidas mais restritivas. Por isso vamos continuar com a expectativa de inflação alta, queda de empregos, e os juros deverão subir nos próximos meses.”


Veja a subida dos juros:

- Pessoa física

Juros do comércio - de 4,63% para 4,65% (72,53% ao ano)

Cartão de crédito - estável em 10,78% (241,61% ao ano)

Cheque especial - de 8,48% para 8,50% (166,17% ao ano)

CDC para automóveis - de 1,79% para 1,80% ( 23,87% ao ano)

Empréstimo pessoal nos bancos - 3,44% para 3,47% (50,58% ao ano)

Empréstimo pessoal em financeiras - de 7,26% para 7,28% (132,39% ao ano)


- Pessoa jurídica

Capital de giro – de 1,88% para 1,93% (25,78% ao ano)

Desconto de duplicadas – de 2,55% para 2,52% (34,80% ao ano)

Conta garantida – de 5,89% para 5,87% (98,28% ao ano) 

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